Maxine abriu a porta do banheiro e deixou todo o vapor acumulado sair do banheiro. Não devia passar das onze, mas ela já vestia seu pijama e se preparava para dormir. Tirou a toalha do cabelo revelando cachos loiros e compridos que estavam amassados por conta da toalha. 
Caminhou em direção à cama que ficava bem ao centro do vasto quarto de madeira em que dormia e começou a folhear o livro que estava ao seu lado procurando a página que havia parado, quando, quase que por uma infeliz coincidência, seus vizinhos ligaram a música no volume máximo.
Irritada e curiosa Max foi para a janela observar a casa ao lado: luzes verdes que piscavam sem parar, meninas com roupas curtas entrando e alguns caras carregando engradados de cerveja também, com certeza era uma festa. Era quinta feira, como eles poderiam dar uma festa que começava às onze? Tudo bem, o fato de estar em uma cidade universitária em época de recesso ajudava muito, mas nem todo mundo que morava lá era estudante. 
Pouco sabia sobre os moradores da casa 25: quatro rapazes que haviam chegado na cidade no começo da semana, provavelmente universitários que queriam começar com o pé direito o ano letivo.
Apesar de saber que seria vista como a vizinha chata, Max desceu as escadas silenciosamente para que seu avô não a notasse e foi bater na casa ao lado. Só que tinha um detalhe: não tinha onde bater por que a porta estava escancarada. 
Aquele não era o tipo de ambiente que estava acostumada e estava mais do que explícito no seu rosto, os olhares que recebia provava isso. Enquanto procurava alguma maneira de parecer menos perdida, um dos rapazes que carregava engradados de cerveja passou pelo seu lado. Max agarrou o braço do rapaz e perguntou:
-Você sabe quem é um dos donos da festa? 
-Pode ser eu gatinha. 
-Falando sério, você conhece algum deles?
-Aquele de costas e camiseta azul é um deles. O nome dele é Cory. 
-Obrigada.
Caminhou até o rapaz de camiseta azul que era incrivelmente alto e cutucou seu ombro fazendo-o virar.
-No que posso ajudá-la querida loira?
-Você que é um dos donos da festa? 
-Sou quem você quiser essa noite - disse ele usando a mesma cantada do rapaz anterior, mas que diferente dele, ao notar a cara de Max, mudou seu tom - Sim, sou eu.
-Eu moro aqui do lado, teria como você abaixar um pouco a música?
-Abaixar a música? Achei que você iria perguntar se poderia ficar. Ai eu diria que não precisava nem perguntar.
-É, mas não. E aí, tem como?
-Por que você quer que abaixe a música? Você não tem cara de quem vai acordar amanhã cedo. 
-Só acho chato.
-Como você pode achar música algo chato?
-Eu não acho. Só acho que está atrapalhando.
-Vamos fazer um trato: divida uma cerveja comigo que enquanto isso vamos conversando. De nesse tempo você tocar meu coração, eu abaixo a música. 
-Eu não bebo.
-Vamos lá, é só uma cerveja.
-Tá bom. Onde? 
-Lá na frente, que tal? Podemos aproveitar e ver o brilho das estrelas.
-Sozinhos?
-Relaxa, não vou fazer nada com você. Só vamos conversar.
-Tudo bem.
-Espere um segundo bem aqui, só vou pegar as bebidas. 

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