-Bem Cory, isso foi tudo o que eu achei no sótão - disse Max apontando para cinco pilhas enormes de papel que estavam no chão de seu quarto - talvez tenha mais coisas espalhadas, mas preciso procurar melhor. Por enquanto é só.
-Só isso?! - disse Cory com uma pontada de ironia na voz - Deve ter dado trabalho para trazer tudo para cá.
-Só um pouco, nada que várias viagens não resolvessem.
-Deveria ter me esperado, poderia ter te ajudado sem problema algum.
-Não queria que nem meu avô ou nem meu pai vissem você.
-Você me despreza tanto assim?
-Não! Só acho que eu teria que explicar muita coisa da qual não estou afim. E além do mais, isso tudo o que estamos fazendo é secreto: meu pai não pode nem desconfiar que eu estou investigando o que houve por trás do sumiço dos dois.
-Faz todo sentido. Alguma chance de um dos dois nos pegarem aqui?
-Nenhuma.
-Por onde quer começar? 
-Eu começo pelo monte número um e você pelo monte número dois - disse ela apontando - o que acharmos relevante colocarmos perto da cama e o que for inútil colocamos perto da porta. Está bom para você?
-Está ótimo para mim.

***

-Faz umas duas horas que nós estamos aqui mexendo em papéis velhos e tudo o que encontramos são desenhos, fotos e principalmente, guardanapos. Qual era o lance entre sua mãe e os guardanapos?
-Ela colecionava.
-Por quê?
-Por que ela queria. Não precisa de um motivo.
-Olha o que eu achei! 
-Parece uma foto.
-É uma foto.
-É sua mãe, não é?
-Ela estava grávida de mim.
-Você é igualzinha a ela, inclusive nos olhos.
-Ela era tão bonita!
-Assim como você. Ah bem, olha o que eu encontrei - disse ele passando uma outra foto velha a ela - Acho que essa é sua mãe, seu pai e esse embrulho branco é você quando bebê.
-Eu era uma gracinha, não era? 
-Max, posso te perguntar uma coisa?
-Claro.
-Nós não estamos procurando pelo caminho errado?
-O que você quer dizer com isso?
-Digo, aqui só tem coisas pessoais. Seja lá o que estamos procurando provavelmente não deve estar aqui e sim nas coisas do trabalho.
-Ela não trazia trabalho para casa. Ela sempre disse que família e trabalho não se misturavam. As coisas do trabalho dela, o que sobrou, deve estar no escritório.
-Já pensou em passar lá um dia desses?
-Vou dizer o que? "Oi, acho que estou meio confusa com o sumiço da minha mãe e talvez tenha alguma coisa aqui. Posso entrar?".
-Você pode dizer que está com saudades.
-Você pode ir comigo.
-Quando?
-Amanhã está bom para você?
-Está ótimo! Mas antes nós vamos passar na biblioteca da universidade.
-Para que?
-Precisamos entender o que estava acontecendo por aqui quando sua mãe sumiu.
-Você acha que pode ter alguma relação?
-Toda.
-Quer deixar para continuar tudo isso depois? Estou começando a ficar com fome.
-Quer sair?
-Para onde?
-Comer.
-A essa hora?!
-É! Que horas você acha que é?
-Umas onze?
-Ainda não são nem nove horas Maxine! - disse Cory mostrando seu relógio de pulso à ela.

*** 

-Que tipo de lugar é esse? - perguntou Maxine.
-Do tipo que serve comida.
-Que engraçadinho.
-É uma pizzaria com karaokê.
-Karaokê? Sério? Você canta?
-Não. Você?
-Não.
-Você pareceu muito animada para alguém que não sabe cantar.
-Pare com isso, só gosto de música.
-Você não parecia gostar de comida na quinta feira passada.
-O que vamos comer? 
-Vejamos - disse ele analisando o cardápio de cima à baixo - comer comida é sempre bom, mas se essa comida for... Pizza de peperoni? 
-Não.
-Ok, pizza quatro queijos? 
-Isso!
-Comer comida é sempre bom, mas se essa comida for pizza de quatro queijos é melhor ainda. 
-Eu não ando comendo direito.
-Mas deveria.
-Não consigo.
-Você tem passado por muita coisa Max, mais do que nunca merece comer.
-Quem come seus males espanta? 
-Basicamente.
-Você tem sido muito legal comigo Cory, não tenho nem como agradecer.
-Você não precisa.
-Por que você faz isso?
-Eu gosto de você e ainda acho que tudo isso vai ser algo grandioso um dia. 

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