-Estou de volta - disse Cory entregando a Max uma garrafa - aqui está.
-Mas isso é refrigerante.
-Eu sei e daí?
-Por que não uma cerveja?
-Você tem dezessete anos e, além do mais, se está com algum problema, não é beber que vai ajuda-la a resolver. Agora me conte loira, o que há?
-Lembra quando eu te disse que meus pais haviam ido embora quando eu era pequena?
-Lembro.
-Então, meu pai voltou.
-Nossa.
-Nossa mesmo.
-E como você está?
-Estranha. É difícil pensar que ele ficou fora onze anos e agora ele quer agir como se sempre estivesse estado comigo.
-E sua mãe? Ela voltou também?
-Na verdade, ela está meio morta.
-Como alguém fica meio morta?
-Na verdade ela está totalmente morta e o pior é que meu pai não quer me contar o que houve. Ele está todo misterioso e isso só me deixa com mais raiva.
-Será que dá para você parar de misturar suas cuecas com as minhas só para não ter que lavá-las? Isso é ridículo demais cara - interrompeu Barry gritando da ponta da escada - Ah, eu não vi que você estava com visita. Ei, conheço você - disse ele se aproximando dos dois - você é a garota que queria falar com o dono da festa quinta feira!
-Eu moro aqui do lado. E como você sabe que eu vim aqui na quinta?
-As notícias correm, meu anjo. Então, vocês dois...
-Cala a boca, não é nada disso que você está pensando.
-Beleza, se você diz... A propósito, meu nome é Barry.
-Maxine, mas me chame de Max.
-Achei que quem morasse na casa 23 era um senhor de idade.
-Também, aquele é o meu avô. Eu moro com ele.
-E quem era aquela moça loira hoje de manhã na sua porta? Ela era muito bonita.
-Moça loira?
-Ela era um pouco mais alta e magra que você, um pouco mais velha também. Usava óculos e tinha um cabelo cacheado como o seu. Ela parecia morar na sua casa, saiu apressada de um carro vermelho junto com um cara.
-Como ele era?
-Sei lá. Alto, cabelos escuros, ombros largos.
-Como os dele? - disse ela apontando para Cory.
-Sim, tipo os dele.
-Barry, que horas você viu tudo isso?
-Era cedo, acordei para ver os desenhos da manhã. Ei, eu ainda posso fazer isso mesmo com quase 21 anos. Não me olhem com essa cara, ok? - pequena pausa - Você parece não ter ideia do que eu estou falando Maxine.
-Eu meio que não tenho.
-Bem, se eu puder fazer qualquer coisa, é só me chamar. Você sabe onde me encontrar. Foi um prazer te conhecer. - disse ele subindo as escadas.
-Ele parece legal.
-O Barry? Ele é sim. É o mais moleque de todos nós, mas é gente boa demais.
-Vocês são da mesma turma?
-Não, Barry estuda Biologia. Ele é brilhante.
-Então se um dia tiver uma barata em casa, posso chama-lo para ir recolhe-la para estudos posteriores?
-Com muita certeza! Ele adora esse tipo de coisa. Então, você estava falando da sua mãe...
-É. Meu pai disse que ela morreu, mas a descrição do Barry bate exatamente com a minha mãe. 
-Então, o que você está sugerindo?
-Não faço ideia do que estou sugerindo.
-Você precisa tomar um pouco de ar.

***

-Então Max, você gosta de dar caminhadas na praia durante a noite?
-Eu nunca fiz isso.
-Mesmo morando a vida toda em uma cidade de praias?
-Mesmo morando a vida toda em uma cidade de praias.
-Há quem diga que praias são perigosas a noite, mas não acho. Se pensar bem, aqui está mais iluminado do que no calçadão.
-É por conta da lua que está cheia hoje.
-É linda, não acha? Só não acho mais bonita do que as estrelas, dessas dai sou fã. Mas voltando ao assunto, então você acha que seu pai está mentindo para você
-Talvez.
-E por que ele faria isso?
-Não sei. Na verdade sei pouquíssima coisa sobre tudo isso.
-Você queria descobrir mais sobre tudo isso?
-Claro que sim.
-Ótimo! Estou bem confiante com tudo isso. Nós vamos descobrir o que está acontecendo Maxine.
-Por que você diz 'nós'? 

-Por que refere-se a eu e você. Estamos juntos nessa gatinha. Não duvide disso, nem por um segundo.

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