-Você acha que vai demorar para ela acordar? - perguntou Cory apreensivo.
-Talvez - respondeu Jay enquanto colocava uma mexa do seu cabelo atrás da orelha - É a primeira vez que isso acontece com ela, o corpo dela ainda vai se acostumar com tudo isso.
-Mas isso pode acontecer de novo? - perguntou Barry
-Há muito o que explicar, gostaria de fazer isso somente uma vez.
-Ela vai ficar bem?
-Vai Cory, agora relaxe. Ficar tenso não vai ajudar em nada. 
-Veja pelo lado bom cara, a pele dela voltou ao normal. Sem nada branco ou irritações. 
-Por enquanto.
-Por enquanto?!
-Relaxa.
-Eu adoraria saber qual é a química envolvida em tudo isso.
-Algumas coisas você não pode explicar assim tão fácil Barry.

***

Max sabia que estivera dormindo, mas não fazia ideia de por quanto tempo ou aonde. Ela sabia que não era de manhã e que inclusive tinha algumas lembranças daquele dia, mas nada parecia certo. Tudo parecia  tão distante até que começou a ouvir vozes bastante familiares, embora não conseguisse identificá-las direito. Eram vozes masculinas e uma feminina que se misturavam antes que ela fosse capaz de compreender alguma coisa. O que será que estava acontecendo? Ela só saberia disso se abrisse aos olhos ou pelo menos tentasse. Com muito esforço seus olhos foram se abrindo gradativamente até que três jovens ocupassem seu campo de visão. 
-Ei amor, você está bem?
-O que aconteceu?
-Você estava pulando rochas comigo e passou mal.
-Então por que não me levou a um hospital?
-Tem muito mais coisas a serem ditas do que você pensa Max.
-Jay? 
-Sua pele tornou-se uma casca. 
-UMA O QUE?!
-Nossa, quanta delicadeza para dar uma notícia dessas, Jay.
-Não acho que você teria feito diferente. 
- Por que isso aconteceu?
-É por isso que eu disse que era muito mais complicado do que se pensa - disse ela puxando uma cadeira e sentando - nós não somos tão parecidas atoa Max.
-Eu sabia, eu sabia, eu sabia! - comemorou Barry, ato que foi recebido com um olhar fuzilante de Jay.
-Antes de eu jogar tudo em cima de você, deixe-me lhe perguntar uma coisa: você é muito parecida com sua mãe, não é?
-É.
-Tem um motivo. Eu não sei direito qual, ninguém sabe realmente. É o seguinte Jay: Cinco mulheres com mais ou menos a idade da sua mãe são extremamente parecidas.
-Como vocês duas?
-Exatamente.
-O que é que têm as cinco mulheres?
-Cada uma delas teve uma única filha, que é muito parecida com a mãe. Uma dessas mulheres é a sua mãe e a outra é a minha.
-Por quê?
-Ai é que está Max, ninguém sabe ao certo. Temos ideias, teorias, mas nada concreto. Tudo o que temos são dez mulheres muito parecidas e a procura de respostas.
-Na verdade, são nove. Minha mãe morreu.
-Não morreu não.
-Sim ela morreu. Meu pai me disse.
-Quando ele disse que ela morreu?
-Esses dias.
-Eu estive com ela faz umas duas semanas.
-Como assim?
-É o seguinte: essas cinco mulheres se encontraram quase que por acaso e acharam muito curiosa a semelhança e decidiram ser amigas. Elas se chamavam de “As Starlights”.
-Isso até parece nome de girl band.
-Eu sei, é meio ridículo, mas elas não deviam ter mais de 15 anos quando inventaram esse nome.
-Então elas são amigas há tanto tempo assim?
-Nossas mães são melhores amigas. Eu me lembro de ir te visitar quando você nasceu.
-Como eu nunca ouvi falar de você ou da sua mãe? Quero dizer, eu sei que cresci sem a minha mãe, mas meu pai poderia ter me contado mais sobre ela ou até mesmo meu avô.
-Seu pai nunca foi muito fã delas. Sua mãe, por exemplo, foi a única que depois que casou parou de sair em grupo. As quatro são bem unidas até hoje.
-E por que não minha mãe?
-Eu não sei.
-Talvez sua mãe saiba?
-Se ela soubesse ela teria me contado. A grande questão é: cinco meninas tão parecidas é algo ok, mas as cinco filhas delas serem tão parecidas também não é coincidência.
-Então você está me dizendo que tem um motivo?
-Pelo amor de Deus, sim! – exclamou Jay levantando-se – Olhar para mim é como olhar para o seu próprio reflexo!
-E a coceira estranha de vocês?
-Ai é outra coisa. Nós achamos que somos parte de um experimento genético ou algo assim.
-Você está louca?
-Claro que não estou, é...
-Sim você está! Que raiva! Quem você pensa que é para aparecer na minha frente dizendo toda uma baboseira de filme de ficção científica? Como se minha vida já não tivesse ficado louca depois que meu pai aparece, você decide inventar que nossas mães são amigas mesmo que eu nunca tenha ouvido falar dela?! E ela está morta, de qualquer forma.
-Não, ela não está.
-Sim, ela está!
-Quer saber? Eu estou cheia. Eu vou embora e fingir que eu nunca escutei essa baboseira toda – disse ela levantando-se e caminhando para a porta – alias, eu vou fingir que nunca te conheci Jay. E Cory, a gente se vê por ai. – disse a menina fechando a porta atrás de si.

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