Nesse mês de Julho, apesar de estar mais feliz comigo mesma do que nunca, tenho sentido uma dificuldade absurda em me concentrar para escrever crônicas. Será que é mesmo necessário escolher entre ser artista e ser feliz? Será que em algum momento da vida os grandes artistas escolheram colocar a sua arte acima de qualquer felicidade que eles pudessem ter? 
O que está acontecendo comigo? Fechei o mês de Maio escrevendo textos ótimos e agora, toda vez que tento, sinto como se não fosse capaz de escrever nada melhor do que aquilo que escrevi em 2013 - textos e textos sobre a influência de uma paixão ridícula. Poucas pessoas vão entender a real dor de sentar na frente de um computador sentindo-se um copo cheio, pronto para transbordar, e não conseguir esvaziar nada. Você ainda está cheio, só que ainda mais cheio por que você percebeu que, talvez apenas naquele momento, você é incapaz de transbordar o que você sente. Chega a doer fisicamente. 
Deveria ter uma fórmula mágica sobre como transbordar: faça isso, faça aquilo e transborde. Seria fácil, mas então não seria apenas os artistas que fariam isso, seriam todos. Todos seriam artistas. E talvez, em partes, o mundo fosse melhor. Talvez não. Tudo precisa de equilíbrio. Absolutamente tudo precisa de equilíbrio.
Para os artistas existirem os demais não podem ser artistas para então uns terem destaque e os outros não. É cruel, mas é a lei da vida. 
Solidão é algo importante também. Quanto mais só você está, com mais clareza você pensa. Não levem-me a mal, eu adoro estar com pessoas, mas sei que em alguns momentos você precisa chorar apenas com as suas lágrimas e não com as dos outros. Em alguns momentos, você precisa se trancar em um quarto escuro e  ter horror a voltar aquela sala clara cheia de gente. São vidas diferentes, pontos de vista ainda mais diferentes e tudo o que você precisa é focar no seu. Chega de gente. Chega de lágrimas compartilhadas. Chega de explorar pontos de vista diferentes. Chega, chega, chega! 
Estar aberto é ótimo, mas em alguns momentos é irritante. Principalmente quando se tem alguns choques que poderiam ser facilmente evitados em outras situações. Por outro lado, a sensibilidade que salva é aquela que mata: um artista não precisa dos problemas de mais ninguém que não os dele mesmo.
Dê um tempo. 

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