Quinze anos atrás na mesma escola que eu estudo hoje, assistindo aulas nas mesmas salas que assisto hoje, com os mesmos professores que eu tenho hoje, havia vários e vários jovens de dezessete anos com os mesmos medos e angústias que tenho hoje, afinal adolescentes sempre serão adolescentes não importa a década. Não apenas compartilhamos o ambiente escolar ou os dramas da idade, mas compartilhamos a pessoa que somos. Quinze anos atrás esses jovens eram eu e daqui quinze anos eu serei eles. 
Hoje quando cruzo com uma pessoa com cerca de trinta e poucos anos ela parece ser pessoas tão distante de quem sou hoje que em momento nenhum passa na minha cabeça que um dia ela passou pela mesma coisa que eu passo hoje. Em algum momento do fim da década de 1990 ela exibia um sorriso orgulhoso por ter conseguido se formar no Ensino Médio enquanto eu mal exibia um sorriso com dois ou três dentinhos. Em alguns meses serei eu exibindo o mesmo sorriso orgulhoso enquanto bebês estarão exibindo os primeiros dentinhos.
É um elo tão pequeno que há nesses quinze anos que separam gerações, mas que as vezes somos incapazes de nos darmos conta. É incrível pensar que eu sou a futura mãe de um bebê de poucos dentes daqui a quinze anos. Nos últimos quinze anos eu aprendi a andar, falar, ler, escrever e fiz um milhão de coisas que me ensinaram a ver o mundo da maneira que eu vejo hoje. Nos próximos quinze anos eu vou estar aperfeiçoando a visão que eu já tenho podendo assim passar a ensinar um pequeno humano a ver o mundo primeiro do meu jeito e depois do jeito dele. É assustador pensar que com apenas mais quinze anos de vida terei cumprido quase todas as obrigações de ser vivo: nascer, crescer e se reproduzir. Tudo que eu consigo pensar hoje é o que vai sobrar para mim fora esperar a morte.
Quando se é jovem é fácil enxergar um futuro por que o futuro é a única opção que nós temos, mas quando o seu presente é o futuro do seu passado deve ser difícil enxergar um futuro do futuro. É quase um tempo verbal "futuro mais do que futuro", mas brincadeiras a parte, o que me acalma um pouco é pensar que a quinze anos atrás esses jovens, que hoje são pais de bebezinhos sem dentes, que estavam com as mesmas dúvidas que eu e advinha só, eles sobreviveram! 
Acho que a única coisa que eu devo realmente me preocupar é sobre como eu vou fazer desse meu fragmento de vida que é a minha juventude algo maravilhoso ao ponto de poder olhar para hoje, o dia em que escrevi esse texto, e achar que valeu a pena. Na verdade, o que eu realmente acho é que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Beijos
S.S Sarfati

PS: só mais um quote para alegrar a noite de vocês (esse é de longe um dos meus filmes preferidos)  >> 
"Carpe diem. Aproveitem o dia, meninos. Façam suas vidas serem algo extraordinário" Sociedade dos Poetas Mortos

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