Nada me impediu de dar uma pesquisada neste daqui, mas acabei pesquisando o filme errado: pesquisei "Clube Dos Cinco" e o certo era "Curtindo A Vida Adoidado" (alguém me explica qual é a lógica desse povo que traduz título de filme?) e mesmo assim foi uma surpresa para mim: os dois são filmes de sessão da tarde! Foi uma surpresa boa, mas está longe de ser o meu preferido.

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Quando se ouve falar sobre os clássicos da sétima arte logo se pensa em filmes antigos, com grande elenco, na maioria das vezes um drama, e visto por várias pessoas como “chatos”. Geralmente clássicos do cinema são visto como aqueles filmes chatos, mas que todo mundo que parece inteligente gostar. É algo realmente confuso. Porém, se há algo de interessante em ser um apreciador da arte é saber enxergar brilho aonde a primeira vista parece não ter brilho algum.
E esse é o caso do filme exibido no Cineclube do mês de Maio: “Curtindo a Vida Adoidado”, um clássico da “Sessão Da Tarde” (sejamos honestos, quem nunca assistiu aquela chamada com “Twist and Shout” ao fundo?) que parece ser apenas mais um filme de comédia para passar o tempo, mas que na verdade, tem uma importância ímpar na cultura popular.
1986. O mundo estava começando a ver uma pequena esperança de paz após longos anos de conflitos desde o início da I Guerra Mundial em 1914. Os jovens não estavam mais precisando se preocupar em como sobreviveriam em uma crise econômica em decorrência a uma destruição em massa ou em como seria viver em um regime político totalmente contrário ao conhecido, pela primeira vez no século 20 o jovem podia apenas estar e não ser. Ele não precisava mais ter ideologias ou ideias revolucionárias, ele podia apenas estar nesse grande contexto e não se preocupar com mais nada.
E não se preocupar com mais nada com certeza seria o lema de Farris Bueller (Matthew Broderick), caso ele tivesse um lema. Farris está prestes a se formar no Ensino Médio quando decide tirar um dia de folga, algo como se fosse o “último dia da sua vida” antes que a vida adulta o massacrasse. Falando assim não parece que ele se formou na década de 1980, parece? E não parece simplesmente pelo fato do adolescente atual ainda ter exatamente o mesmo comportamento daquela época e ao contrário do que muitos pensam a culpa não é da tecnologia. Farris repete várias vezes durante o filme que preferiria ter ganhado um carro ao invés de um computador, que não servia para muita coisa.
Outro aspecto que faz de Farris um grande símbolo da juventude é que ele quer ser jovem para sempre quase como um Peter Pan. E é a fase adulta que causa medo nele assim como causa em todos os alunos do terceiro ano do Ensino Médio (público do Cineclube), então não é possível existir outro filme para tal público.
“Nerds”, “quietinhos” e os “não tão populares assim” vão se sentir quase que ofendidos em estar na mesma sala, mesmo que seja através de uma tela, que Farris Bueller. Ele é totalmente o oposto, com pensamento inconsequente, sempre querendo ser o melhor sem muito esforço e tirando o máximo de vantagem em tudo. É aquele personagem que algumas pessoas sentirão raiva por gostarem dele, mas precisarão admitir: ele tem carisma.  

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