Em 2018, a Netflix lançou uma das suas produções originais mais comentadas no Twitter: ‘Para Todos Os Garotos Que Já Amei’ baseada no livro homônimo da Jenny Han publicado em 2014. O filme fez tanto sucesso que ainda em 2018 decidiram que os outros livros da série também virariam filme - e claro que isso ajudo a popularizar, e muito, os livros. ⁣

 Em ‘Para Todos Os Garotos Que Já Amei’  Lara Jean é arrancada do seu mundo de faz de conta e passa a ter um relacionamento real com Peter, já em ‘P.S.: Ainda amo você’ Lara Jean amadureceu e aprendeu a lidar com um relacionamento que existia fora da sua cabeça.⁣

Na conclusão da trilogia, ‘Agora e Para Sempre, Lara Jean’, Lara Jean está no último ano do Ensino Médio e está passando por todos os dilemas tradicionais da idade que vão desde a faculdade, crescer e deixar a infância para trás, como o futuro do seu primeiro relacionamento. Isso sem contar os dilemas familiares - que existe para todo mundo. ⁣

A questão sobre este livro é que ele prometia fechar com chave de ouro a história que ganhou nossos corações, mas não foi bem isso que aconteceu. É notório que o nível da história foi caindo ao longos dos volumes e este livro é totalmente dispensável pois vai do nado para o lugar nenhum. Apesar de ter clareza que eu não sou o público alvo do livro, os personagens são muito mal desenvolvidos. Não é questão de pegar antipatia do personagem, é sobre eles serem superficiais e previsíveis. Claro que como a história é narrada em primeira pessoa, pela Lara Jean, é natural que você não conheça muito os outros personagens, mas neste volume ela tem a profundidade de um copo de água. ⁣

A Lara Jean se tornou uma personagem extremamente passiva, sem personalidade e deixando que a vida dela seja guiada pelo Peter e o que me chama mais atenção é como ela foi se anulando ao longo do relacionamento dela. Antes ela era uma personagem independente e com vida própria, neste volume ela co-existe com o Peter e em alguns momentos eu acho que teria sido melhor ter transformado o Peter no narrador da história de uma vez. ⁣

Eu terminei o livro com a sensação de que este livro existe com a única finalidade de ganhar dinheiro. Além de tudo, não tem constância no tempo narrativo: o livro é quase todo lento, mas não de um jeito ruim, só que chega nas últimas 30 páginas e ainda falta acontecer todos os desfechos, então Han corre para finalizar tudo. Ela deveria ter colocado menos elementos narrativos ou se planejado para fecha-los ao longo da história. Não é um livro RUIM (já li muitos livros piores), mas está longe de ser bom. Falta um tempero (e algumas re-escritas) para torna-lo melhor. Outra coisa que senti falta foi um epilogo. ⁣

Acredito que assim como eu, todas aquelas que foram (ou ainda são) adolescentes introvertidas, tímidas e que gostavam de livros fofos, queriam um Peter Kavinsky  nas suas vidas: aquele cara bonitão, extrovertido, popular e que, mesmo sem motivo algum, é completamente apaixonado por você. E tá tudo bem, um pouco de clichê é bom - especialmente quando se tem 15 anos. Acredito que um dos grandes motivos pelos quais o livro fez sucesso é porque ele mexe com o desejo inconsciente de um príncipe encantado moderno que traz emoção para a sua vida. ⁣

Fico me perguntando até que ponto livros com esse tipo de clichê são saudáveis e até quanto é aceitável propagar para meninas jovens de que, indiretamente, você precisa de um cara que para transformar sua vida ‘mais ou menos’ em uma vida incrível. 



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