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Noite de Ano Novo

-Então aquele papo de que você me amava era para valer? – perguntou Noah
-É, acho que era.  E o seu papo de que me amava, era para valer também?
-Você sabe que era.
-Como eu posso ter certeza que você me ama se você não tem certeza que eu te amo?
-Eu sou completamente louco por você, boneca. Absurdamente louco por você.
-Isso é bom de ouvir.
-Ah é? Por quê?
-Porque sou completamente louca por você, Noah e fico feliz que eu tenha levado tempo demais para perceber isso. Eu te amo Noah e sempre vou amar.
-Eu acho a época de festas de final de ano uma época engraçada: é um pequeno período de tempo em que paramos para pensar em tudo o que fizemos da nossa vida durante o ano e o que queremos mudar nela. É complicado, mas ao mesmo tempo agradável, sabe? No momento eu não mudaria nada da minha vida. Nadinha. Eu estou fazendo o que eu gosto com a garota que eu amo ao meu lado. Eu estou extremamente feliz com a minha vida neste exato instante.
-Feliz ano novo, meu amor.
-Feliz ano novo para você também, linda.


Essa história entrou por uma porta e saiu pela outra. Quem quiser que conte outra

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-Noah, você pode atender a porta? Por favor?
-Vamos fingir que não tem ninguém em casa.
-A luz da frente está acesa. Não dá para fingir que não tem ninguém em casa.
-Fala para Carol atender a porta.
-Eu estou falando para você ir atender a porta.
-Por que eu? A Carol não está fazendo nada. Ela só está no celular.
-E você, está fazendo o que?
-Eu estou assistindo filme de Natal.
-Noah, será que você pode ir atender a porta de uma vez?
-Eu tenho escolha?
-Não – Noah caminha emburrado em direção a porta e quando finalmente atende ele tem uma surpresa:
-Sami?!
-Oi – disse ela meio sem jeito – Espero não estar atrapalhando.
-De jeito nenhum.
-Bem, eu queria dizer uma coisa.
-Então diga.
-Eu meio que te amo.
-Meio que me ama?
-É, Noah. Eu gosto muito de você. Até demais. Mais do que eu gostaria, mas não posso me esconder atrás disso. Eu te amo e quero ficar com você por um bom tempo até que nossos temperamentos nos separe.
-Você acha que isso vai demorar muito?
-Eu espero que sim.
-Eu imaginava uma declaração um pouco mais romântica.
-Eu também. Você ainda gosta de mim? Você ainda quer ficar comigo?
-Ainda sim é tudo o que eu sempre quis.
 -Por quê?
-Eu amo você o suficiente para relevar seus defeitos.
-Obrigada.
-Você não deveria agradecer por ser amada.
-Eu sei. Eu estou agradecendo por você ter esperado por mim. Eu prometo que vou ser menos egoísta daqui para frente.
-Fico feliz de ouvir isso.
-Acho que vai ser complicado daqui para frente, não é?
-Talvez um pouco.
-Você acha que damos um jeito.
-Sinceramente?
-É.

-Acho que sim.


-Eu estou triste que o Leonardo não está aqui – disse Carol.
-Eu também –respondeu Noah
-Mas deve ser muito legal ter mais do que uma opção para passar o Natal.
-Não deixe a mamãe te escutar dizendo isso ou ela vai ficar muito chateada.
-Eu sei. É que eu só queria ter outras opções. Saber que mais alguém me ama o suficiente para querer passar o Natal comigo.
-Eu te amo bastante – disse Noah abraçando a irmã.
-Eu sei que ama.
-E eu prometo que você sempre vai poder passar o Natal comigo. Se você quiser, é claro.
-É, talvez você seja uma opção – brincou Carol –Você parece triste.
-Não estou. Só estou um pouco pensativo.
-Não se resolveu com a Sami?
-Mais ou menos.
-Isso parece bastante com um não.
-Pois é. O engraçado é que ela gosta de mim, mas tenta não gostar.
-Talvez ela não seja uma boa opção para você.
-Eu sei, é que eu gosto dela demais.
-Ela é seu primeiro amor, você sempre vai gostar dela demais. Isso não significa que vocês vão ficar juntos para sempre.
-Eu tenho quase certeza que se nós não tivéssemos dado um tempo, nós ficaríamos juntos para sempre.
-Você só tem dezenove. É difícil saber com quem você vai passar o resto da sua vida.
-É que eu queria que fosse com ela, sabe?
-Você vai conhecer várias meninas na sua vida. Você vai querer que seja com elas também.
-Achei que você só tivesse dezesseis!
-Eu tenho, mas eu só acho que talvez você deva parar de esperar uma decisão que não virá.
-Eu acho que você está certa.
-Mesmo?
-Mesmo.
-Então, o que você vai fazer?
-Sabe aquele papo de ano novo, vida nova? Acho que vou tentar isso.
-Eu nunca pensei que você fosse um romântico, sabe?
-E eu nunca pensei que você seria uma conselheira. Uma muito boa, aliás!
-Eu te amo, Noah.

-Eu também te amo, Carol. 

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O encontro foi bastante tranqüilo, sério. Muito mais do que eu, você ou até mesmo eles poderiam imaginar. Em momento nenhum ficou aquele climão, ninguém fez nenhuma pergunta desagradável (confesso que acho que isso só foi possível porque assim que o Noah chegou à casa da Diana, ele puxou Zach em um canto e avisou para o amigo não falar besteiras. Sei que é cruel dizer isso, mas o Zach geralmente fala muita besteira), talvez alguns comentários constrangedores, mas nada que não pudesse ser contornado. Ah, eu não poderia me esquecer do fato que Sami e Noah chegaram juntinhos na casa da Diana. SIM, JUNTOS! Eu não acreditei quando vi, nem eles mesmos, nem ninguém.
Conversaram sobre tudo: desde como estava a vida deles depois de um ano do término da escola até de algumas memórias escondidas.
-Eu preciso contar uma coisa – anunciou Zach.
-Então diga de uma vez. Você não precisa falar que vai dizer algo. Não faz sentido nenhum – interrompeu Di.
-Eu tinha me esquecido como você era estúpida.
-Não, você não tinha.
-Você tem razão, não tinha mesmo. Impossível esquecer da sua grosseria – pequena pausa – como eu estava dizendo antes de ser interrompido...
-Fala logo Zacharias! – disse Di jogando alguns grãos de pipoca no rapaz.
-Você não deveria desperdiçar comida – disse Zach comendo os grãos que foram atirados nele – Eu queria dizer que estou muito feliz de estar com vocês aqui. Todos vocês.
-Eu também estou muito feliz de estar com todos vocês aqui – disse Sami.
-Você só não está comigo e com a Di no resto do ano, porque com o Noah...
-Zach!
-É verdade! Vocês acham que eu sou idiota?
-Sim! – responderam em coro.
-Pois bem, não sou. E por isso digo que vocês se viram ao longo do ano.
-Valeu cara, não poderia dormir sem essa informação.
-O que eu quero dizer é que se vocês arrumaram tempo para se verem, vocês também conseguem arrumar um tempo para me verem.
-Como você é carente!
-É triste saber que as pessoas com quem eu andei o meu Ensino Médio todo agora não arrumam mais tempo para se verem.
-Eu só andei com você no último ano – interrompeu Sami.
-Você andou em um ano o suficiente para valer pelos três anos, senhorita.
-Até parece que namorei com você no último ano.
-Quase isso.
-O que?!
-Bem, namorada do meu melhor amigo é minha namorada também.
-Você é hilário – disse ela com ironia.
-Não foi isso que te impediu de andar comigo por um ano – disse ele dando uma piscadela para Sami.
-Sabe no que eu estava pensando? – disse Diana interrompendo a conversa entre Sami e Zach.
-No que? – perguntou Sami.
-Por que ninguém vai zoar ela? – indagou Zach.
-Porque ela é quem zoa – respondeu Noah.
-Pois bem. Eu estava pensando em como vai ser daqui para frente.
-Como assim?

-A gente quase não se viu esse ano e por menos que eu tenha falado com vocês esse ano eu tenho certeza que vocês fizeram novos amigos. Em 10 anos a gente ainda vai lembrar o nome uns dos outros?Eu quero dizer, e se nós nos esquecermos de tudo pelo que nós passamos? Eu não quero esquecer pelo que nós passamos, mas às vezes acho que o esquecimento é o único caminho para as memórias que se formaram.

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Eu preciso te avisar algo: hoje é véspera de Natal. Sei que eu poderia ter te avisado isso no capítulo
anterior, mas não quis. Estava com preguiça e você nada pode fazer quanto a isso. Nadinha.
Véspera de Natal é aquele dia gostoso como o Natal, só que sem comer os restos da ceia no almoço e os presentes que costumamos ganhar nessa época do ano.
Porém essa véspera de Natal não está sendo a mesma coisa de sempre para Sami: ela está nervosa e pensativa. Passou quase que a madrugada toda se virando na cama igual a um bife a milanesa pensando no rumo em que a vida dela vai tomar. Neste momento a única coisa que ela está pensativa é em relação a que roupa ela vai vestir no pré-Natal que o pessoal da escola decidiu fazer. Sim, Sami e Noah vão se encontrar hoje e eles não são os únicos a estarem nervosos com isso. Eu estou e eu sei que você também está. E sim, ela quer se vestir para impressionar.
Ela ainda não está pronta o suficiente quando ouve a campainha tocar. Ela está sozinha em casa por isso é obrigada a abrir a porta e se deparar com ele:
-Noah, que surpresa!
-Eu tive idéia de passar por aqui de última hora, não vou demorar.
-Não, entre, por favor – pequena pausa – Então, qual é a boa?
-Eu só queria saber se está tudo bem entre nós, sabe? Se não vai ser muito estranho nós juntos reunidos como nos velhos tempos.
-Ah, acho que não. Quero dizer, um pouco talvez, mas a gente um  jeito.
-É, acho que sim.
-Você não precisava ter vindo aqui para falar só isso.
-Não.
-O que mais você veio falar?
-Eu vim ver como você está. Faz tempo que não tinha notícias de você. A propósito, você está linda.
-Você que é muito gentil. Eu andei pensando um pouco esses dias. E você, como está?
-Eu estou bem. Andou pensando no que?
-Em nós.
-E você teve bons pensamentos?
-Eu não estou pronta para desistir de nós.
-Eu só quero saber se apesar de tudo nós podemos continuar amigos. Sei que é clichê, mas eu odiaria ter que evitar reuniões como esta por não querer te ver ou vice- versa.

-Como eu disse, eu não estou pronta para desistir de nós. 

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Vou te pedir gentilmente que entenda uma coisa: passou-se certo tempo. Não meses ou anos, mas alguns dias. Eu poderia te encher de narrativas inúteis como a Sami indo comprar ingredientes para a ceia de Natal com a mãe enquanto conversavam sobre os acontecimentos recentes em relação a Sami e o Noah. Ou até mesmo o choque que Noah levou enquanto colocava as luzes de Natal na garagem. Seria tedioso e desnecessário. Alterou alguma coisa na sua vida saber que o Noah almoçou com a irmã no shopping depois da prova dela de Artes? Não? Pois bem, é desse tipo de informação que eu quero te poupar. Não fique chateado comigo. Ou fique, não é como se eu me importasse. Não me importo. Não é como se eu fosse sua amiga ou até mesmo sua mãe, sou apenas a narradora deste conto e você está me ouvindo porque quer, ninguém está te obrigando a nada.
Além disso, acho importante ressaltar algo: ela gosta dele, ela só está com um pouco de frescura. É, frescura mesmo. Tanta gente que não se gosta e está junto mesmo assim e ela gosta do cara e fica evitando estar com ele. Por que?! Quando eles terminaram (ou deram um tempo, interprete como quiser) ela queria evitar que o relacionamento deles se desgastasse por conta da distância, ela queria que acabasse cedo, porém bem. Ela teve medo de um relacionamento prolongado e ruim. Tadinha da Sami, temendo a vida.
Na vida você não tem noção da duração das amizades, dos relacionamentos, dos empregos ou até mesmo da vida das pessoas para acabar quando ainda está bom e evitar sofrer, você é obrigado a ficar até o fim e agüentar as últimas conseqüências. Ou largar antes do fim e ficar na dúvida se você pulou fora no momento certo ou se você evitou uma vida cheia de felicidade. Só vivendo para saber. 

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-Eu acho que vi a Sami aqui em casa hoje mais cedo – disse a irmã de Noah quando cruzou com ele pela cozinha.
-Ah é, ela veio aqui para a gente conversar um pouco.
-Conversar? Aham sei.
-É verdade.
-Noah, eu ouvi tudo. Meu quarto fica do lado do seu.
-Não tinha nada para ser ouvido.
-Ela geme como uma foca.
-Isso é mentira!
-Então você admite que fez?
-Tá bom, admito.
-Ótimo, por isso você vai dizer para a mamãe que eu passei a tarde toda estudando quando ela te perguntar. Porque se você disser que não, eu vou dizer que você trouxe sua namoradinha para casa e vou contar o que vocês fizeram.
-Por que ela me perguntaria se você passou o dia estudando? Você está  de férias.
-Eu deveria estar.
-Não vai me dizer que você está de recuperação? – pequena pausa - Você está de recuperação? Tipo, de verdade? Do que?
-É. De Artes.
-De Artes? Você é tapada?
-Eu zerei a prova.
-Como?
-Eu matei a prova para ir para o centro fazer compras na Black Friday com as meninas.
-Isso é sério?
-Sim.
-Comprou alguma coisa para mim?
-Claro que não.
-Eu comprei um presente de Natal para você.
-E em troca disso eu não vou contar para a mamãe que você trouxe sua namoradinha para fazer a casa dela de motel – pequena pausa – Pera, então você e a Sami voltaram?
-Mais ou menos. Ela está meio na dúvida.
-Ela gosta de você?
-Gosta.
-Você gosta dela?
-Muito.
-Qual é a dúvida?
-Não sei, talvez tenha haver com o fato de estarmos na faculdade ou de estarmos em faculdades diferentes. Não faço idéia do que passa na cabeça dela.
-O que você vai fazer?
-Eu falei para ela que não vou esperá-la para sempre.
-Isso é duro.
-Eu preciso seguir com a minha vida.
-Você vai dar presente de Natal para ela?
-Não sei, eu deveria?
-Você gosta dela, não gosta? Então acho que talvez devesse.
-Você me ajuda a escolher alguma coisa?
-Claro. Vamos ao shopping?

-Amanhã. Hoje você tem que estudar para a sua prova de recuperação, sua tapada.

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Ao chegar à casa de Noah, Sami perguntou se haveria algum problema se os dois subissem no quarto dele, Noah fez que não e a seguiu até seu quarto. Ela já havia estado lá milhares de vezes então ela sabia o caminho e se sentia livre o suficiente para percorrê-lo.
Chegando ao quarto de Noah fez sinal para que ele fechasse a porta, ainda sem entender nada, ele fez o que lhe foi pedido e antes que ele pudesse perguntar a ela o que ela pretendia com aquilo, ela deu um sinal que seria impossível de ele não compreender: enquanto ele estava de costas, ela tirou o vestido que usava. Ele fez o mesmo que ela e ainda livrou-se do que lhe cobria as pernas. Os dois se encararam por um instante e perante o desconhecimento que tinham sobre o corpo do outro, calaram-se.
***
-Eu acho que nós deveríamos conversar um pouco agora já que não conversamos antes – disse ele passando o braço por volta dela.
-Sobre o que você quer conversar?
-Eu não sei.
-Está sem assunto?
-Na verdade, tem uma coisa sim.
-Manda.
-Você está gostosa.
-Noah!
-O que? Está com vergonha?
-Não, na verdade é meio estranho. Só isso. E bem, você também está com um corpão. Gostei da sua tatuagem. O que significa?
-Significa a passagem do tempo. Como um lembrete para mim mesmo que não importava o quanto eu estivesse sofrendo, o tempo iria passar de qualquer forma.
-E por que você estava sofrendo?
-Porque meu primeiro amor me deixou.
-Eu também fiz uma.
-Eu vi. Ela é muito bonita.
-Significa “estava escrito” ou “era para acontecer”. Eu queria acreditar que eu estava fazendo a coisa certa, mas se eu tivesse fazendo a coisa errada, o destino daria um jeito de resolver tudo e eu teria um final feliz.
-Sami, isso significa que nós voltamos? Que eu sou seu final feliz?
-Não sei, talvez. Eu não faço idéia se você é meu final feliz.
-Você gostaria de um tempo para pensar?
-Por favor. Se você não se importar.
-Você sabe que eu me importo e mesmo assim você continua fazendo a mesma coisa.
-Eu não sou tão ruim assim.

-Eu não vou te esperar para sempre Sami. Eu te esperei um ano. Não vou te esperar mais. Não vou esperar você arrumar a bagunça para me deixar entrar, eu quero arrumar a bagunça com você. Eu te amo e sempre vou amar, mas isso não significa que eu sempre vou estar disponível. 

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O relógio marcou duas horas em ponto e Sami respirou fundo, era oficial: ele não viria. Noah era a pessoa mais pontual de todas as pessoas pontuais que ela já conheceu na vida e ele nunca havia chegado atrasado, nem uma única vez. A única explicação é de que ele não viria que ele iria dar um bolo nela. Uma pequena vingança por ela ter terminado o namoro. Ela explicou uma dúzia de vezes os motivos que levou ela a fazer aquilo e explicaria mais mil vezes se fosse necessário. Ela explicou a ele quando eles se encontraram no aniversário dele e ela explicou quando encontrou a irmã dele na padaria na última vez que esteve na cidade. Ela explicava para a mãe toda vez que ela perguntava por que os dois não estavam mais juntos. E isso era quase que semanalmente.
Aliás, se eles se encontraram no aniversário dele qual era o problema de se encontrarem agora? Era quase dia de Natal e no Natal geralmente as pessoas devem ser mais legais com as outras por conta daquele clima natalino e tudo mais. Se bem que ela havia partido o coração dele em Fevereiro de tal maneira que talvez até o Papai Noel perdoasse caso ele fizesse algumas malvadezas com ela... Se bem que ela estava associando isso a um sentido totalmente oposto do original... Foco, foco, foco. Pessoalmente não acho que ele seria capaz de simplesmente não aparecer em um encontro com ela sem uma boa explicação, ele ainda era louco por ela. Vocês viram quando ele chamou ela de princesa ontem a noite? Um cara que não queria aparecer no encontro não faria isso. E era nesta ideia que Sami estava tentando se concentrar, mas a ideia que ele queria apenas torturá-la como vingança borbulhava ainda mais alto. Alguns podem dizer que não é do feitio dele, outros podem dizer que as pessoas mudam. Eu acredito que as pessoas mudam, mas nem tanto.
Eu já disse para vocês que sou apenas narradora desta história e só sei o que de fato irá acontecer no momento em que acontece e nem um segundo antes, então, por favor, pare de me olhar como se eu soubesse o motivo do atraso dele. Acredite, se eu pudesse fazer com que ele chegasse logo aqui eu faria: o fato de ser narradora não me impede de estar brutalmente curiosa sobre a conversa deles.
-Desculpa te deixar esperando, mas minha mãe ficou muito feliz em me ver e não queria me deixar sair – disse Noah ao se aproximar de onde Sami estava sentada – senti saudades.
-Eu também senti saudades suas Noah – disse ela envolvendo-o em um terno abraço – Achei que já tinha me esquecido do som da sua voz pessoalmente.
-Eu acho que minha voz é sexy demais para você esquecê-la em menos de seis meses – brincou ele. E ele tinha razão: a voz dele tinha um rouquinho muito sexy para ser esquecido em quatro meses. Especialmente depois das coisas que ele havia dito a ela no seu ouvido na última vez que se encontraram, em Agosto.
-Você ainda toma sorvete ou tem medo de estragar sua voz?
-Geralmente não, mas por você eu faço uma exceção.
-Eu fico lisonjeada.
-E esse era o objetivo. Então – disse ele se dirigindo ao caixa – Ainda gosta de misturar sorvete de chocolate e creme?
-Gosto, mas você não tem que pagar.
-Eu sei que não, mas eu quero – disse ele dando uma piscadela para ela.
-Você nunca perde o charme, não é?
-Eu confesso que é difícil mantê-lo, mas eu tento mantê-lo mesmo assim. – ela não respondeu. Ela apenas deu um sorriso tímido e ficou levemente corada enquanto ele ficava feliz por ter atingido seu objetivo.
***
Sami e Noah, apesar de manterem certo contato, tinham muito que conversar pessoalmente por isso decidiram caminhar um pouco e ver como as coisas se desenrolavam:
-Então, como foi o primeiro ano?
-Na verdade, muito melhor do que eu imaginava. Não bombei em absolutamente nada, nem em Cálculo.
-Eu sabia que você iria me deixar orgulhosa.
-Eu até consegui aprender um pouco mais de violão.
-Não brinca, eu adoro o som do violão!
-Eu sei, eu até gostaria de conseguir mostrar algo para você, mas não aprendi o suficiente para te poder te mostrar algo.
-Mesmo assim, isso é ótimo! Parabéns Noah.
-Obrigado. E você, como foi seu primeiro ano?
-Foi bom. Quero dizer, foi melhor do que o primeiro ano do Ensino Médio – disse ela rindo.
-Difícil algo pior do que o primeiro ano do Ensino Médio.
-Eu aposto que o seu primeiro ano do Ensino Médio foi melhor do que o meu.
-Ah, é? Por que diz isso?
-Bem, ouvi dizer que você era o terror das festas de quinze anos.
-Isso é mito. Eu sabia me divertir, só isso.
-E como era?
-Eu era animado. Bastante.
-Animado como?
-Ah, eu fazia uma baguncinha aqui e ali, nada sério. Sou um rapaz sério, sempre fui.
-Disso eu sei.
-Sabe mesmo?
-Sei sim.
-Então por que você não me trata como um Sami? Eu entendi quando você disse que não dava mais para nós ficarmos juntos, mas a verdade é que a gente nunca parou de se falar, é meio como se nós nunca tivéssemos terminado. Sempre damos um jeito de nos ver... Seja sincera, qual a diferença do que nós temos para um namoro?
-Eu não sei.
-Ótimo, porque eu também não faço idéia – pequena pausa – Eu só sei que gostei de namorar com você. Foram bons onzes meses ao seu lado – ela ficou sem resposta, de novo. Não entendia por que, mas naquele dia para quase todas as menções que ele fazia sobre o relacionamento que eles tiveram ela ficava sem resposta. Talvez essa fosse só a maneira dela reagir à culpa que sentia, não que pretendesse admitir que por algum momento ela não estivesse totalmente certa sobre o rumo que deu ao relacionamento deles. Ela não estava. Ela não era do tipo de pessoa que está sempre em busca de um relacionamento, ela sabia viver sem alguém ao seu lado, mas ela sentia falta dele. Não era falta de ter alguém do seu lado, mas de ter o Noah ao seu lado. E era doloroso para ela admitir uma coisa dessas.
-Na verdade, foram ótimos onze meses ao seu lado – disse ela educadamente corrigindo o rapaz.
-Se você diz – ele fez uma pequena pausa – Como foram as coisas lá para você? Digo, tinha uns caras legais por lá? – disse ele entrando em um assunto bastante delicado para ambas as partes.
-Bem, tinha sim. Alguns.
-E você saiu com algum deles?
-Eu até tentei.
-Não deu certo?
-Não.
-Por quê?
-Nenhum deles era você – disse Sami roubando um beijo apaixonado do rapaz que prontamente contribuiu a expressão de paixão da moça – Noah, me desculpe – disse ela se afastando dele – eu simplesmente não deveria ter feito isso. Eu nem te perguntei se você estava em um relacionamento ou coisa parecida.
-Eu não estou.
-Mesmo assim.
-Não tem problema. Eu retribui, não retribuí?
-Retribuiu – disse ela corando – Desculpa Noah, mas eu não faço idéia do que eu estou fazendo. Sinceramente, não faço nem idéia do que eu estou pensando ou muito menos falando, mas eu acho que nós devemos resolver nossa situação.
-E como você sugere fazermos isso? – disse ele sentando-se em uma muretinha que tinha no caminho que eles percorriam e puxando-a pela mão afim que ela se posicionasse na sua frente, quase que instintivamente ela apoiou os braços em volta do ombro dele enquanto ele abraçava sua cintura.
-Eu gosto de você e você gosta de mim, não faz sentido estarmos separados. Eu achei que quase um ano longe de você já teria me feito parar de gostar de você, mas não. Pelo contrário, só me fez gostar mais de você.
-Então você está me dizendo que você quer voltar? Você está me perguntando se eu quero voltar com você?
-Na verdade eu estou perguntando se tem alguém na sua casa.
-Acho que só minha irmã, minha mãe e o pai do Leo saíram logo depois de mim.
-Você se importa se nós formos para lá?

-De maneira alguma – respondeu o rapaz ainda que sem entender nada.

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Noah <18/12> às 21:45
Hey, eu vou para casa amanhã para o Natal e o restante das férias. Você vem também? Talvez pudéssemos nos encontrar. Beijos.

Sami <18/12> às 21:50
Eu estou voltando para casa hoje, queria passar mais tempo com a minha mãe, estou com saudades. Fico feliz que esteja vindo também. Eu adoraria te ver. Beijos.

Noah <18/12> às 21:53
Até eu estou com saudades da sua mãe. Eu chego ainda de manhã, quer fazer algo depois do almoço?

Sami <18/12> às 22:00
Ela está com saudades também, vira e mexe me pergunta de você. Ainda gosta de sorvete?

Noah <18/12> às 22:05
Eu ainda adoro sorvete.

Sami <18/12> às 22:08
(: às 14h está bom para você?

Noah <18/12> às 22:10
Está ótimo (:

Sami <18/12> às 22:13
Legal (: Vou tentar dormir um pouco no ônibus. Até amanhã. Beijos

Noah <18/12> às 22:18
Até. Beijos e boa noite princesa.

Noah <18/12> às 22:19
Eu realmente te chamei de princesa?

Sami <18/12> às 22: 20
Siiim!

Sami <18/12> às 22:21
E eu realmente gostei?

Noah <18/12> às 22:23
É você que está dizendo. Velhos hábitos, rs.

Noah <18/12> às 22:24
Se cuida (:

Sami <18/12> às 22:26
Você também <3

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Sami e Noah tiveram um relacionamento intenso durante o último ano do Ensino Médio e quando chegou a hora de irem para a faculdade, ela preferiu que os dois dessem um tempo. Inconformado, Noah aceitou, mas ainda continuava pensando na aquela que um dia foi sua.
Embora com dificuldades para esquecer o passado, os dois seguiram suas respectivas vidas, mas é claro, que não totalmente separados. O destino interveio em diversas ocasiões em favor do casal por meio de amigos em comum, festas ou até mesmo pelo acaso, mas nada parecia descongelar aqueles corações.
Quando os dois descobrem que estão voltando para casa na mesma época para as festas de final de ano, eles tentam se reencontrar e ver o que pode acontecer. Noah deixa seu interesse claro desde o início enquanto ela, apesar de interessada, hesita quando o assunto é retomar o relacionamento.

Eles ainda se amam. Ele sabe disso e quer o que eles tinham de volta. Ela sabe disso, mas queria não amá-lo.


Ela se olhou no espelho e arregalou seus olhos grandes verdes: não acreditava no que ela estava vendo, ela estava maravilhosa! Ela poderia se achar maravilhosa, mas gostaria de saber a opinião de mais alguém, só para ter certeza. Caminhou até a beirada da escada e gritou:
-Mãããããe, vem cá?! Eu preciso saber o que você achou da minha roupa!

****

-Noah, você vai levar Brenda para a festa da amiga dela daqui a pouco, né? – perguntou Sami enquanto caminhava entre a sala e a cozinha a procura do seu tablet.
-Que festa? – perguntou Noah enquanto assistia à televisão.
-Aquela festa que ela comentou semana passada. Você disse que a levaria. Você não se lembra?
-Está aqui, amor.
-O que está ai?
-O que você está procurando, seu tablet. Bem aqui – disse ele sinalizando com o tablete na mão – Agora você pode vir aqui pegar seu tablet e me dizer que festa é essa que eu vou levar a Brenda?
-Eu não queria realmente o tablet. Só queria saber onde ele estava.
-Mas você vir me contar sobre a festa?
-Ah, claro! – disse ela caminhando em direção ao sofá e sentando-se ao lado dele – O que você quer saber?
-Tudo.
-É naquele buffet que você foi semana passada trabalhar, lembra?
-Aham. De quem é essa festa?
-De uma menina da sala dela. É de quinze anos.
-Ela disse o nome da menina?
-Claro que disse, mas eu esqueci.
-Vai ter meninos nessa festa?
-O que você acha?
-Merda. Ela é muito nova para ir numa festa com garotos.
-Ela tem quatorze anos!
-Eu sei disso...
-Pense no que você fazia quando tinha quatorze anos.
-É por isso que eu não quero que ela vá... Poxa Sami, ela é minha caçula. Eu me lembro de segurar ela no colo até outro dia.
-Eu me lembro de segurar os três no colo até outro dia.
-Eu sei Sami, mas ela é minha princesinha, eu não quero que ela cresça!
-Eu não queria que nenhum deles crescesse.
-Eu deixo os outros crescerem, mas ela fica criança. Me chamando de papai e perguntando se eu posso ser o príncipe dela! Eu não quero que outro seja o príncipe dela!
-Oh Noah, ela já cresceu. Não tem como voltar atrás. Além do mais, seus dias de príncipe acabaram.
-Assim você me magoa.
-Mas você tem seus dias de rei pela frente, ao meu lado.
-Te amo minha rainha – disse ele dando um beijo estalado na bochecha dela.
-Também te amo Noah.
-Eu achei que era seu rei.
-E você é.
-Mãããããe, vem cá?! Eu preciso saber o que você achou da minha roupa!
-Por que você não desce querida? Aí o papai também pode ver e dar uma opinião masculina.
-Mas de onde você tirou que eu quero dar uma opinião masculina na roupa da minha filha?! – disse ele baixinho.
-Mas é por isso que eu não quero descer, eu não quero que ele veja!
-Ele vai ver de qualquer jeito.
-Mas ele vai reclamar!
-Agora eu estou curioso e quero ver!
-Ele vai se comportar. Desce aqui.
-Você sabe que eu não vou.
-Cala a boca Noah, claro que você vai.
E ela desceu a escada até o final.
-Você está maravilhosa! – exclamou Sami
-Você acha?
-Eu tenho certeza.
-Mesmo papai?
-Sim e é por isso que você vai trocar de roupa.
-Papai!
-Noah!
-Você me pediu minha opinião, ué.
-Mãe!
-Noah! Você está maravilhosa. Eu não sei como você vai encarar isso, mas você está a minha cara quando eu tinha sua idade, só que com os olhos verdes do seu pai. Você puxou o melhor dos dois – disse ela rindo.
-É verdade papai?
-O que?
-Que eu estou parecida com a mamãe.
-Você está assustadoramente parecida com ela. Ambas maravilhosas.
-Obrigada papai – disse ela abraçando o pai.
-Mas eu ainda acho que você deveria trocar esta saia.


Beijos
S.S Sarfati


Essa imagem não representa somente a minha mãe, mas sim todas as mães ao redor do mundo: fazendo de tudo para proteger seus pequenos (que quase sempre crescem e tornam-se maiores do que elas). 
Ao contrário dos últimos anos anos, não escrevi um texto sentimental para minha mãe. Simplesmente não consegui pensar em algo grandioso o suficiente que dissesse tudo o que tenho para dizer. É muita coisa para dizer com poucas palavras disponíveis na língua portuguesa. 
Mas é óbvio que não deixei de escrever algo para ela. É uma história, sentimental a sua maneira, sobre um pai indo comprar o presente do dia das mães com seus três filhos pequenos. Um retrato fiel ao jeito cômico e desajustado que um pai é capaz de ter com seus filhos. Como diria minha mãe, um pai nunca vai ser uma mãe. 
É uma história de quatorze páginas que está disponível em pdf aqui tanto para leitura online quanto para impressão e download. Para que você tenha certeza que vale mesmo a pena ler até o final, o início do primeiro capítulo está diponível online também. É só clicar em "mais informações" aqui embaixo. 

Feliz dia das mães
Beijos
S.S Sarfati

"Yellow diamonds in the light
And we're standing side by side
As your shadow crosses mine
What it takes to come alive"

-Que horror! Achei que só a festa seria com o tema de dia das bruxas, não as músicas!
-Cala boca Diana, 'We Found Love' é legal.
-Claro que é! Mas é tão 2012.
-Que foi ano passado.
-O certo seria tocar 'Diamonds'.
-Eu acho que o certo seria a gente parar de discutir a playlist e tentar se divertir um pouco.
-Ok, mas cadê o Noah?
-Ele disse que encontraria com a gente aqui.
-Eu sei que ele disse isso. Ele disse hoje de manhã na aula. Eu estava do seu lado lembra?
-Claro, claro.
-Vamos lá Sami, não encane. A qualquer minuto seu bonitão de olhos verdes vai chegar - risos.
-Por que você chama ele assim?
-"Bonitão dos olhos verdes"? Bem, Noah é bonitão e ele tem olhos verdes. Portanto achei que era óbvio para você também - explicou Diana fazendo um monte de caretas durante a explicação.
-Oi meninas! Sami - disse um rapaz alto, de cabelos escuros e olhos verdes que cuidadosamente envolveu Sami com um dos seus braços e a trouxe para perto - demorei?
-Um pouco.
-Eu sei, mas minha irmã não ficava pronta de jeito nenhum.
-Achei que isso era uma festa só para Ensino Médio.
-Ela está no primeiro ano.
-Nossa, ela é tão baixinha!
-Eu escutei isso! - disse uma menina de cabelos longos e escuros e olhos verdes - Então, quando a diversão começa?
-Na teoria ela já começou.
-Ah, oi Sami. Não tinha te visto - e ela se virou para Noah e disse - Eu vou tentar achar alguém da minha turma. 
-É impressão minha ou a Carol não gosta de você?
-Chegou a essa conclusão sozinha ou precisou de ajuda?
-Sozinha mesmo, quero dizer, sei que sou loira e tudo mais, mas é impossível ela não ter te visto. Você está agarrada ao irmão dela.
-Eu não estou agarrada ao Noah.
-A mão dele quase toca seu traseiro.
-Noah!
-Desculpa, força do hábito - Sami revirou os olhos e disse
-O Chris disse se vinha? E o Zach? 
-O Chris estava na dúvida e o Zach, bem o Zach óbvio que ele vem. E a Rachel?
-Assim que ela escolher uma roupa.
-O que vai ser lá pelas nove da noite - completou Diana - Aliás, vou dar uma volta por ai e ver se encontro alguém. Vou deixar vocês sozinhos.
-Não precisa! - disse Sami inutilmente a loira que não deu ouvidos.
-Parece que somos só eu e você pequena.