Em um dia como hoje eu posso ter perdido o cara, mas eu ganhei experiência. Ganhei umas mágoas, um papel de trouxa, um pouco de orgulho ferido, mas não morri. Ganhei um pouco mais de amor próprio, um pouco mais de orgulho para compensar o que foi ferido. Ganhei um coração partido de pequeno porte para a coleção que tenho feito no caminhar para vida adulta.
Perdi um pouco de tempo tentando assimilar a situação, perdi mais tempo ainda tentando ver onde errei e perdi mais tempo ainda tentando calcular quanto tempo perdi tentando me convencer do fato de que não fiz nenhuma bobagem e ai que foi meu erro: eu não fiz nada. 
Eu nunca tentei ganhar o cara. Eu só sentei e esperei as coisas se bagunçarem e darem errado a minha volta, mas sabe de uma coisa? Eu cansei. Eu cansei de ter medo que as coisas pudessem dar certo só por já saber lidar com as coisas quando dão errado, o fato de ser boa em lidar com situações ruins não quer dizer que necessariamente eu só precise lidar com elas. Eu posso me dar o luxo de ter bons momentos de vez em quando, eu não preciso viver em guerra comigo mesma o tempo todo. 
Eu cansei de tentar controlar cada passo que dou. Eu posso controlar o que faço, mas não como as pessoas recebem ou o que elas fazem. 
Eu quero ser espontânea? Então daqui para frente eu serei espontânea. Eu sempre me escondi por trás de ações tão bem calculadas que eu deixei de ser eu mesma. Eu sempre tentei ser tão certinha e respeitar os pensamentos e desejos de todo mundo que esqueci dos meus. Eu abdiquei de mim mesma para uma dúvida, por um mísero fio de esperança que eu nem sei se estava lá mesmo.
Eu acho que perdi tudo por ser tão milimetricamente controlada, por ter uma estratégia para cada passo que eu dei até hoje, por ter encarado o amor como um campo de batalha e por ser presunçosa o suficiente por achar que eu tinha a melhor estratégia só por que sei da minha capacidade analítica. Só por, no fundo, confiar demais nas minhas habilidades e sagacidade. Eu me perdi em mim mesma. Eu perdi por não entender que o amor não é um jogo de estratégia e que vence o melhor.
Eu estou completamente afundada então por que não me afundo um pouco mais? Por que não tento colocar os pés no fundo da piscina mesmo que para isso eu tenha que abrir o olho de baixo da água? Ninguém nunca morreu por fazer isso.
Eu não sei como lidar da maneira correta com esse tal de Amor. E talvez nem queira saber, sei que há mais desajustados como eu. Eu poderia estar chorando, mas comemoro algo muito maior do que um amor bem sucedido ou não: eu mesma. E o texto que acabei de fazer.

Beijos
S.S Sarfati

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