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Ele tinha um olhar e que olhar ele tinha! Ele era tão acidentalmente charmoso que chegava a ser perigoso. Mas não perigoso em um sentido comum, perigoso por não ser realmente perigoso. Ele era uma boa pessoa, tão boa que um perigo adorável ardia em seus olhos. Chegava a ser estranho olhar para ele durante muito tempo.
"Alto e com ombros largos" era assim que ele podia ser descrito por um desconhecido, mas não por ela. De acordo com sua visão ele sempre seria alguém com algum aspecto diferente e único. Por mais que ele parecesse ordinário por fora, ele era fabuloso por dentro e a única pessoa que via isso era ela. Ao se olhar no espelho de manhã certamente ele se via como mais um entre tantos rapazes altos e com ombros largos. Só para ela que ele era "o" cara alto e com ombros largos. Não que ela estivesse apaixonada por ele, não era de cometer tal tolice, mas ele a encantava de mil maneiras diferentes todos os dias.
Numa dessas vezes que ela havia se perdido ao se encontrar olhando para ele, notou que havia uma pequena falha na sua sobrancelha. Aquela falha por sua vez não simbolizava nada além de um erro da natureza naquele corpo de menino bom. Talvez se alguns aspectos mais rudes da sua natureza fossem despertados por alguma razão, aquela mesma falha poderia ser o simbolo de uma personalidade ardente e perigosa. Nunca se sabe.
Ela gostava do seu olhar e ela gostava de olhar para ele e gostava mais ainda quando ele olhava de volta e principalmente quando ele sorria enquanto olhava de volta e ela sorria para ele por educação, é claro. Do jeito que ela olhava para ele qualquer dia ele iria pensar que tinha uma admiradora nem tão secreta assim e ele podia até puxar conversa com ela e ela não tinha certeza se queria conversar com ele. Se queria de fato escutar a voz dele e escutar o que ele tinha a dizer e cair no risco de descobrir que ele era um cara chata com um hobby chato como vinhos. Saber falar de vinhos é algo muito tedioso se não é você que está falando. Ninguém se importa se você é um sommelier, todos só querem beber um bom vinho sem escutar grandes explicações.
A grande questão a respeito de olhar as pessoas é que se você observa a mesma pessoa durante um longo período de tempo, você passa a conhece-la, a estudar seus hábitos e entender seus motivos e ou a pessoa é verdadeiramente interessante ou o encantamento acaba. Você conhece os defeitos e precisa aprender a amá-los ou deixá-los. Nem sempre a pessoa é interessante e nem sempre é fácil deixá-la ir. Você acaba se apegando a alguma coisa ruim por medo não se apegar a nada. Pelo medo de sofrer, você sofre.

Beijos
S.S Sarfati

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