A parte ruim de gostar de acompanhar as pessoas de perto é que elas te decepcionam em algum momento da trajetória. Quem ainda não te decepcionou, vai te decepcionar e quem já te decepcionou, com sorte, não vai mais fazer isso. A vida é sobre escolher quais decepções você vai levar a sério e quais você vai escolher relevar. Eu mesma vivo me decepcionando com as pessoas, mas advinha só, elas valem a pena, exatamente do mesmo jeito que elas acham que eu valho a pena. Amizade sincera é uma troca feliz de decepções. Só quem já se decepcionou com alguém sabe quantas formas diferentes você ser decepcionado e decepcionar, mas, particularmente, a forma mais imperdoável de decepção que há é quando a pessoa torna-se alguém totalmente diferente do que aquele quem você costumava conhecer.
Claro que mudanças são sempre bem vindas, mas quando você se torna alguém tão diferente ao ponto que quem te conheceu antes não te reconhece mais, é hora de pensar no que fez: para quem você mentia antes, para você mesmo ou para o mundo? Ou você mente agora?
Não acredito em mudanças bruscas quando se trata da personalidade das pessoas, você até pode fingir por um tempo, mas um dia a verdade transparece e nem sempre é de uma maneira sutil: no melhor dos casos ela vem como uma epifania a qual você pode escolher ser quem você realmente quer ser, ou, no pior deles, você se torna infeliz e nunca percebe o porque e passa a culpar o mundo pela sua infelicidade sendo que foi você mesmo que cavou seu próprio buraco.
É muito fácil sentar deixar o ambiente e as pessoas que convivem com você moldarem sua personalidade, você nunca vai estar de fora. Você sempre será exatamente o que as pessoas querem que você seja e então, quando o dia que você não suportar a prisão que é sua vida, você vai surtar e magoar as pessoas que de fato se importavam com você. Só que não é bem você, era aquela pessoa que você era, mas você estava mentindo antes do surto ou o surto só foi para agitar sua vida e você está mentindo agora?
É complicado quando se é um jovem adulto pensar que as escolhas que você faz e as experiências que você tem ou deixa de ter vão determinar quem você terá com cinquenta anos. É uma fase miserável por que vivemos o hoje para pensar no futuro. E é muito fácil estragar uma das fases pelo simples fato de que enquanto jovens mal sabemos lidar com o presente quanto mais com o futuro.
Você precisa ser muito consciente enquanto qual é a sua essência e ser fiel a ela. Não há problema fazer alguma coisa super fora da sua zona de conforto, na verdade é fora dela que sua vida começa, mas você não pode trair a si próprio, a ponto de se tornar irreconhecível, de não saber como você chegou a determinado ponto. Talvez a melhor coisa a se fazer é saber onde você está começando e qual caminho você quer seguir, por que uma vez que o caminho é certeiro o destino torna-se apenas o destino e não uma tábua de salvação imaginária.

Beijos
S.S Sarfati

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