Mais uma manhã em que ela não tinha vontade de arrumar a cama, como se alguma vez ela tivesse vontade de arrumar a cama! Humpt! 
Já deveria passar das nove da manhã quando seus pés tocaram o chão pela primeira vez naquele dia. O dia não estava ensolarado, mas estava quente o suficiente para ela não sentir frio andando pelo quarto só com uma camiseta de banda velha. Passou a mão pelo rosto e deslizo-a pelo cabelo em um clássico sinal de que ela havia acordado péssima. Havia noites que ela não dormia bem e que estava sempre acordando com os olhos pesados e com dor de cabeça.
Caminhou em direção da janela para permitir que a claridade entrasse no meu quarto e iluminasse sua bagunça. Passou por alguns livros jogados, revistas velhas e uma mala aberta. Há quanto tempo aquela mala estava lá mesmo? Dois ou três meses? Há quanto tempo ela estava dizendo à ela mesma que iria sair daquele quarto de pensão? Um ou dois meses? Ela estava odiando a situação e não via a hora de dar o fora dali. Aquele quarto da pensão da sua tia era o seu lar desde que ela havia decidido deixar a casa dos seus pais, mas isso não significava que ela adorava estar lá. Dois meses era o tempo máximo que ela havia permanecido por lá, então estar lá a quase quatro meses era algo difícil de aceitar. 
Seu telefone tocou. Alguma música de banda velha. E ela precisava achar desesperadamente o celular: cadê, cadê, cadê? Achou, atendeu e não podia acreditar na notícia que acabara de receber: ela iria viajar.
A mala ia sair daquele lugar, as revistas iriam para o lixo e os livros voltariam para a prateleira. Ela não podia acreditar! Finalmente sua vida estava voltando ao normal!
O que ela não desconfiava é que para sua vida voltar ao normal, ela iria ter que sair mais ainda do normal.

Beijos
S.S Sarfati

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