Vocês vão me achar estranha (mais ainda) se eu disser que nunca consigo me lembrar do que eu sonho? Eu sei que eu sonho, mas eu nunca lembro o que eu sonhei ou se eu realmente sonhei, eu só acredito que sonhei.
Certa vez ouvi que dá para nos conhecermos melhor através da interpretação dos nossos sonhos, que dá para sabermos quem realmente somos, nossos verdadeiros medos e angústias, que através dos nossos sonhos encaramos aquele lado da gente que temos medo de encarar enquanto acordados. Bem que uma soneca sempre ajuda né?
Eu adoro uma soneca, adoro mesmo. Sempre que posso tiro uma soneca e na maioria das vezes que adormeço no sofá sabe quem me abraça quentinho, meu beagle-anão Cachorrinho. Ele é tão fofinho, tão gostosinho que as vezes chego a duvidar que um filho seria tão "cuti-cuti" como o Cachorrinho.
No início do ano quando fui para a praia com o Professor de História fomos de carro. Adoramos viagens de carro, embora sejam mais longas, são mais divertidas e temos mais tempo para conversar. Mas nós não conversamos, eu dormi o caminho todo. E antes que vocês pensam que eu sou uma bruxa desalmada por ter largado o Professor de História dirigindo sozinho, eu adianto: ele não me acordou para trocarmos de direção e ele não estava sozinho: tinha o meu CD da Madonna tocando no rádio. Ela é tão linda e tão poderosa que é capaz de inspirar qualquer um, até o Professor de História acha Madonna uma mulher poderosa.
Vocês repararam como tenho falado dele ultimamente?! Eu não sei se é algo bom ou ruim, ainda não estou decidida disso, mas queria saber o por que. Será que meus sonhos explicam? É engraçado por que agora que decidi colocar minha vida em uma espécie de diário, eu sou capaz de vê-la toda em perspectiva e vê-la em perspectiva significa vê-la de fora, como seu eu fosse de fato a narradora da minha própria história. Que doideira! Antes de eu começar a escrever isso daqui eu nunca havia percebido como eu sentia falta do meu "relacionamento" com os Olhos Azuis, como o nosso relacionamento me marcou. Será que eu deveria procurá-lo no Facebook? E antes de eu começar a anotar capítulos da minha vida, eu jamais tinha percebido como o Professor de História é uma espécie de protagonista da minha história, ele só não é mais protagonista da minha história do que eu. É a minha história. É engraçado pensar nisso... mas, mas, será que eu tenho uma quedinha pelo Professor de História?
A nossa conversa do capítulo anterior sobre o tempo e suas ações aconteceu já faz mais de um mês, embora eu tenha contado-a aqui poucos dias atrás. Nada que eu conto aqui é linear. Eu posso ter tido todas essas reflexões a mais de um ano atrás, mas só estou colocando-as para fora hoje. Não se engane com a minha graciosidade. Não vou dizer que as coisas entre nós estão estranhas, mas elas estão diferentes. Nem melhor ou pior, apenas diferente. Não vou mais pensar nisso. Não quero e ponto final. Já está anoitecendo e tem um clima agradável lá fora. Acho que vou fazer uma trança e ir dar uma volta perto da padaria. Quem sabe não compro uma pizza e um refrigerante e não passo na casa do Professor de História?  

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