Sempre me achei tão sem graça, tão sem sal nem tampouco açúcar, tão nada que nunca fui capaz entender qual é a dessa "paixão". Não entendo então não a tenho, simples assim.
Talvez eu esteja errada, isso acontece com frequência, mas paixão não é para todos: é para artistas, poetas, não para as pessoas comuns que mal sabem lidar com os sentimentos que já têm. A paixão queima por dentro e nem todos sabem lidar com um fogo que arde sem se ver.
Eu não me julgo digna de uma paixão: sou alguém "nada demais". Sabe aquela pessoa que não fede nem cheira? Apresento eu. Não sou nem feliz nem triste. Nem otimista nem pessimista. Sou que nem soja: não tenho gosto de absolutamente nada embora esteja lá.
Não estou dizendo que não sou digna de ser a paixão de alguém, sejamos honestos, que mulher não gostaria de ser a musa inspiradora de um poeta em potencial? Mas duvido muito que eu deveria me apaixonar por alguém. Afinal, eu me apaixonaria e ficaria "nossa, estou apaixonada. Legal e daí?" eu não faria nada demais com a minha paixão. Não iria poetizar, escrever crônicas sobre a pessoa em questão, pintar telas e muito menos fazer uma coreografia de contemporâneo expressando a paixão no subconsciente humano. Acho tudo isso muito chato, mas não posso negar que sou grata à paixão alheia. Eu consumo a paixão alheia. Todo mundo que lê livros é consumidor de paixões, nem que seja a paixão pela literatura ou coisa do tipo.
Espero que haja cada vez menos pessoas como eu no mundo, esses "desapaixonados" sem consciência poética. Pessoas que focam seus esforços em objetivos egoístas guiados sempre pelo poder da mente e nunca do coração. Eu odiaria um mundo só com pessoas como eu.
Sim, uma parte de mim me odeia. Eu queria ter alguma, nem que mínima, consciência poética e ser digna de sentir paixão, mas não sou e fico grata por não ser do tipo que não é digno e mesmo assim insiste. Ah meu querido o universo sabe o que faz, fique calmo. 
Por favor pessoas continuem a se apaixonar: seja por pessoas, por livros, por momentos, sentimentos ou cheiros. Como tudo que é bom a paixão destrói, mas depois reconstrói da melhor maneira.

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