Não passa muito das sete da noite. É inverno então o sol já se foi faz muito tempo. Eu adoro o inverno, mas essa falta de sol me deixa bastante triste. Estou debruçada na janela. É um pouco alto daqui de cima, tenho medo, mas mesmo assim gosto de ficar debruçada. 
Não é como se tivesse uma vista bonita daqui, a vista daqui é simples e absolutamente normal. Mesmo assim gosto. Não é preciso grandes coisas para que eu goste, precisa simplesmente existir. Até que no fundo sou uma pessoa bastante simples. 
É engraçado como as coisas daqui de cima parecem pequenas, como se nada realmente importasse. Como se eu fosse grande e grande o suficiente para ser a medida de todas as coisas. Eu me sinto no topo do mundo aqui da minha janela e isso é o bastante. 
Eu gosto de estar aqui em cima. Gosto mesmo. Quando vejo aquelas pessoinhas andando na rua imagino quais são os problemas delas. Quando imagino alguns problema como empréstimo, divórcio e um complexo de inferioridade mal resolvido, penso como são pequenos daqui de onde estou. Não só por que os problemas estão nos outros e não em mim, mas por que há uma distância de tudo. E céus, como eu adoro a distância. As vezes me pergunto até que ponto minha paixão por distância é algo bom.

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