Eu sumi nesses últimos dias. Não postei nada na Quinta, na sexta, sábado e muito menos no Domingo. Não é como se eu me orgulhasse muito, afinal me preocupo muito com as minhas escrevinhações, mas também não me é algo que gera "desorgulho" em mim ou em falar no assunto.
Eu sempre deixei bem claro que a minha matéria prima são as pessoas de maneira geral, seus comportamentos, medos, ambições, sucessos, fracassos e seus relacionamentos principalmente. Eu gosto de pessoas, eu gosto de estar no meio das pessoas, eu gosto de estar no meio delas para assim poder observá-las para depois pensar melhor sobre isso. Só que tem algo que eu não havia entendido antes: para estar no meio das pessoas e poder observá-las mais atentamente com um olhar mais próximo da realidade, preciso realmente estar no meio das pessoas, eu preciso ser uma dessas pessoas. 
Era muito inocência minha achar que seria capaz de fazer um retrato fiel das pessoas se apenas olhasse-as de fora. Não há como viver apenas da observação, você precisa viver. Você tem que estar inserido em contextos que te permitam observar e ser observado, você não pode ter medo das conclusões que as pessoas podem tirar de você porque você conclui sobre elas o tempo todo. Você precisa estar no movimento para entender o que leva algumas pessoas a seguirem ele. Chega a ser presunção achar que é capaz de olhar apenas por fora.
Escutei certa vez que um escritor não precisa viver mais nada depois dos vinte anos pois é até essa idade que toda sua vivência e espirito criativo é formado, e meu deus, eu já estou com dezessete anos e meio, eu não tenho quase mais tempo! Eu realmente preciso sair do meu quarto e dar minha cara a tapa a esse mundão. Cheguei na seguinte encruzilhada: ou eu paro de ter medo das pessoas ou eu nunca vou criar nada diferente do que eu crio hoje. Hoje eu mudo muito rápido e adoro isso, não quero perder isso nunca.
Só que o pior é que eu não temia as pessoas em si, eu temia a mim mesma e projetava meu medo nas pessoas para me proteger da imagem de fracassada que eu teria de mim mesma caso caísse na real um dia. E esse dia chegou, eu caí na real, mas não só caí na real como decidi que era hora de mudar, era tempo de mudanças. Exatamente como na música da Rita Lee "um belo dia resolvi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer" e eu preciso dizer que passar um sábado chorando enquanto assistia filme pelo computador na minha cama enquanto eu comia um lanche do Subway foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Não apenas porque o filme era muito bom ou porque eu escolhi o filme a dedo para minha situação, mas por ter me destruído ao longo de uma noite para me reconstruir ao longo das semanas. 
Embasado em tudo isso que disse acima gostaria de dizer que estou em outra "vibe", que estou descobrindo uma nova faceta minha, que se eu fosse uma escola literária eu estaria entrando na minha segunda fase (espero ter muitas). Como se antes eu fosse menor que o mundo e agora fosse maior que o mundo, não de uma maneira arrogante, de uma maneira extremamente jovem e fresca ("fresca" de "frescor" e não de "frescura"), por que isso que é ser jovem: ser vivo, fresco, curioso, inquieto, uma busca frenética por certo tipo de liberdade que não existe ao certo. Sobre tudo isso só posso completar dizendo que meu único plano sempre foi apenas ser livre, por isso acho digno me libertar de mim mesma antes do resto.

Beijos
S.S Sarfati

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