Segundo cineclube foi no mês de Abril, calor de dia, mas precisava de moletom para voltar para a escola a noite. Confesso que não curti tanto este filme quando o anterior (Fabuloso Destino de Amelie Poulain), tanto por que não faz muito o meu estilo, mas consegui aprender a ver sua particular forma de beleza. Acho que por essas e outras foi o filme mais intenso até então. "Silencio Dos Inocentes" foi o primeiro de vários filmes que eu iria "ganhar spoliers" e dar uma pesquisada antes e também foi a primeira vez em que o machismo foi discutido principalmente entre as meninas cineclubistas (a proporção é de dez/doze meninas para um menino) e o nosso professor. Mal sabíamos que esta discussão ficaria inflamada no mês de Junho.

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Até pode não ser nem um pouco comum cruzar com pessoas como Hannibal Lecter na rua fora da ficção, mas isso não irá impedir ninguém de ficar com medo de caminhar em uma rua escura depois de assistir ao filme “Silencio Dos Inocentes” de 1991 do diretor Jonathan Demme com grandes nomes como Anthony Hopkins e Judie Foster. O filme não só ganhou vários prêmios da Academia, mas sim os cinco principais prêmios (melhor ator e atriz, melhor filme, melhor direção e melhor roteiro adaptado) sendo o terceiro filme da história a fazer tamanho feito.  E foi essa foi a verdadeira obra de arte cinematográfica escolhida para ser exibido no cineclube do mês de Abril.
O filme não fez sucesso entre os alunos presentes apenas por ser aterrorizante e instigante, mas por ter um protagonista psicopata extremamente atraente, Dr. Hannibal Lecter. Com um olhar certeiro e uma voz manipuladora, Dr. Lecter convence todos a sua volta com sua incrível perspicácia, uma vez em que o próprio é um psiquiatra e sabe qual é exatamente o seu diagnóstico e como manipulá-lo para as pessoas a sua volta. Ao contrário do que muitos podem imaginar, Hannibal Lecter é o maior psicopata da história do cinema e não Norman Bates, do clássico de Hitchcock “Psicose”, embora ele ainda tenha um lugar garantido no coração dos apaixonados pela sétima arte.
Outro aspecto muito interessante, porém nem sempre muito percebido por todos é a questão do papel da mulher na sociedade, sendo esse filme o único ganhador de Oscar onde de fato o personagem principal é uma mulher. Por estar em um ambiente extremamente masculinizado é possível todos os nuances e contrastes da Clarice Starling (Judie Foster) com o todo masculino.
Alguns podem dizer que o filme é sobre Clarice, e talvez até seja, mas não apenas sobre ela e sim sobre a envolvente manipulação que ela sofre sem nem ter consciência disso. Mas a pergunta que não quer calar: será que depois de todos os acontecimentos, Clarice ainda ouve as ovelhas à noite? 

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