Fecho os meus olhos e me concentro nos sons que escuto. Barulhos domésticos: o barulho do chuveiro, da televisão um poupo mais alta do vizinho do lado, a festinha que o vizinho de cima está dando a julgar pelos barulhos de vários e vários pés. Eu não estou reclamando, quero dizer, não sou dessas chatas que reclamam de tudo e/ou de uma festinha de adolescentes. E como sei que são adolescentes? Bem, eu sei que um dos moradores é adolescente então eu julgo de forma bastante precipitada que a festa é dele com seus outros amiguinhos adolescentes.
Sei que ele é adolescente por que já encontrei com ele no elevador e rolou aquela conversinha de elevador e lógico que foi ele que puxou por que eu sou do tipo que entra, dá bom dia e fica muda. Inclusive, acho muito desconfortável ter que cumprimentar as pessoas no elevador.
Eu gosto de som ambiente, aquele barulho silencioso. É algo agradavelmente perturbador. 
Às vezes, tarde da noite ou até no meio da noite, eu gosto de deitar sobre o peito do Heitor e escutar os batimentos do coração dele. Parece estranho, mas me acalma. Eu gosto de sons regulares, como batimentos de coração. No começo ele estranhava e até acordava e perguntava se eu estava bem, hoje ele entende, só me abraça e volta dormir. 
Ao longo da minha vida eu fiz muita bagunça com ela, eu tive medo da ordem quando ela era tudo o que eu precisava e gostar de coisas bastante regulares como o som do coração é a maior prova disso. O som do coração é perfeito. Além do mais, há coisa mais bonita do que o som do coração?
É puro, é sensual, é ritmado, é apaixonado, é ritmado. Ritmo que por sua vez acalma, ritmo que inerva. Você pode se perder, mas você pode se achar. 

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