Eu me lembro quando o Heitor quebrou a clavícula há uns anos atrás enquanto andava de bicicleta com uns amigos (e uma amiga em especial, mas não vou tocar nesse assunto agora) e quanto ele reclamou, Homens são conhecidos por serem chorões quando estão doentes, machucados, mas o comportamento dele foi um excesso. 
Ele quebrou a clavícula no início das férias de Julho dele (boas férias, professor) e por isso não pode fazer mais nada além de reclamar jogado no sofá o quanto estava doendo e o quanto ele odiava aquela situação. Isso por que não era nem sempre no sofá dele. Ele fazia questão de passar os finais de semana lá em casa. Ele simplesmente aparecia, não era convidado nem nada. Eu chegava do trabalho e ele estava na minha porta me esperando. O feriado de Nove de Julho foi em uma Terça Feira então emendou com o final de semana e quem disse que ele foi embora? Ele passou os quatro dias aqui e bem, foi bastante divertido, mas eu queria sair e aproveitar, mas eu não podia. 
Eu acho que ele já gostava de mim naquela época. Eu acho que eu já gostava dele naquela época também. 
O meu ponto é: por que demoramos tanto tempo para compartilharmos sentimentos que eram mútuos? Se era por medo de alguma coisa acabar, não estamos livres disso agora só por que somos mais maduros e faz muito tempo que passamos da casa dos vinte e cinco. Quero dizer, tudo isso pode acabar. Nós podemos terminar amanhã e eu tenho certeza que vai doer tanto ou até mais do que se tivéssemos começado com tudo isso quando éramos mais jovens. 
Quando se é jovem, errar não dói tanto e é sempre tempo de recomeçar. Se terminarmos, bem, vai ser no minimo complicado: vai ser difícil para os dois começar do zero, especialmente pro Heitor com aqueles amigos babacas dele e com os trinta anos pesando nele. Não que para mim seria fácil, tanto por que eu estaria sem meu melhor amigo. Mas não quero pensar nisso. Não quero pensar que nós vamos terminar, mas também não quero pensar que vamos ficar juntos para sempre. Não vou mais pensar nisso. 
Só para terminar a história da clavícula, quando ele melhorou, fizemos uma tatuagem juntos. Eu fiz alguns pássaros na clavícula e ele fez uma águia nas costas. 

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