Eu bebo muito café. Muito mesmo. O Heitor brinca que quando eu tiver que fazer exame de sangue vão encontrar só café e nada de sangue. Eu adoro o sabor, seja quente ou seja frio. Na verdade acho que café é a única coisa que eu gosto o tempo todo e independente da temperatura.
Eu não gosto das coisas mornas. E não falo apenas da temperatura do meu Café Latte. Tudo na minha vida. Ou sinto ou não sinto. 8 ou 80. Talvez por este motivo eu tenha demorado tanto para me decidir com o Heitor ou não. Quis escutar o chamado da paixão.
Se bem que ficar com esse pé atrás para tudo do jeito que eu fico não seja algo necessariamente bom. O dia que eu escutei o chamado poderia ser tarde demais e ele poderia estar de casamento marcado com alguma mulher loira e alta chamada Daniela. Foi um risco bem grande que corri, admito.
Eu esperei o momento certo. Ele esperou o momento certo. Nós esperamos o momento certo. Tivemos sorte que os dois esperaram o momento certo e que ele foi certo para os dois, por que o mais fácil e provável ter acontecido era termos sido as pessoas certas, mas revelado isso na hora errada. Acho que nós gostamos de flertar com a dificuldade embora o destino não tenha nos deixado fazer isso.
Nós temos a questão do café assim como alguns casais tem a questão da pasta de dente. A questão da pasta de dente é aquela incompatibilidade quase que crônica que um casal tem de cada um apertar a pasta de dente de um jeito. Um aperta no meio enquanto o outro aperta no finalzinho e a confusão está feita. Heitor e eu temos a questão do café: enquanto eu sou viciada em cafeína, Heitor é mais moderado, tão moderado ao ponto de gostar desse tal café descafeinado. 
Eu sei que disse adorar qualquer e todos os tipos de café, mas é por que eu não considero café descafeinado um tipo de café. É só uma bebida qualquer que se aproveita do nome e do sabor do café para vender. Se não tem cafeína, por que bebe-la? É a mesma coisa que beber água. Mas o Heitor não concorda e faz a maior campanha para eu largar a cafeína. Ele até já misturou os dois tipos de café para que eu bebesse, mas como ele sujou a caneca eu notei que ele tinha feito uma e fiquei provocando-o até que ele falasse o que tinha planejado. Ele acha bobagem sempre comprarmos dois tipos de café ao invés de um e eu também acho. Nisso concordamos, mas nenhum dos dois está afim de mudar as preferencias na hora do café. E acho que vamos ter que conviver com isso, mas pelo menos concordamos com a maneira de apertar a pasta de dente: no final!

Deixe um comentário