Se tem algo que aprendi nessa primeira semana de cursinho é que olheiras são bem vindas e isso parece o tipo de coisa que não faz o minimo de sentido, especialmente uma vez que já foram inventadas tantas técnicas para esconde-las já que são consideradas feias, mas, no cursinho, só na primeira semana de aula pude observar atentamente 50 tons de olheira. Eu entendo o por que dos alunos (especialmente as meninas estudantes para o vestibular de Medicina) gostam de exibi-las: é uma marca que ele/ela estudou tanto até bem tarde da noite e isso faz dele/dela alguém "perigoso" para a concorrência. Uma vez que olheiras são consideradas feias e os alunos exibem as mesmas orgulhosamente, por que não podemos levar isso para vida exibir orgulhosamente nossas feiuras? 
Ninguém posta no Facebook foto quando está feio, ninguém comenta lá o quanto é difícil fechar as contas no final do mês e, principalmente, ninguém diz para os 845 amigos como se sente solitário por que ninguém mais se importa de verdade. Resumindo: todo mundo só gosta de exibir as coisas boas da vida e isso até que faz sentido, especialmente em uma sociedade onde a felicidade é tão palpável e fotografável. 
O conceito de felicidade é ao mesmo tempo que único, bastante abrangente: todo mundo que é feliz, é feliz e ponto, enquanto quem é infeliz é infeliz da sua maneira, pelos seus motivos. Ou seja, a  nossa infelicidade é o que nos torna únicos e uma vez que é a infelicidade que nos torna únicos, por que temos medo de exibi-la? Por que temos tanto medo de sermos únicos?
Ao nos mostrarmos felizes e realizados com as fotos da nossa última viagem estamos exibindo como a nossa vida está boa e embora se analisado cegamente isso pareça fazer muito sentido, se analisado cuidadosamente não vai fazer sentido algum. Fomos ensinados a compartilhar com as pessoas somente coisas boas, porque ninguém gosta de coisas imperfeitas ou quebradas. Ninguém é obrigado a gostar ou lidar com a imperfeição.
Exibir sinais de fraqueza, cansaço e cicatrizes não necessariamente quer dizer que você falhou, só quer dizer que você viveu. Claro que você não precisa compartilhar com todo mundo sempre que alguma coisa dá errado na sua vida, faz bem ter um pouco de privacidade, mas não cobre de si mesmo uma vida sem cicatrizes.

Beijos
S.S Sarfati

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