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Eu não acredito que deixei passar o dia do escritor, um absurdo!
Eu adoraria dizer que é por causa da rotina, do stress ou de qualquer coisa assim, mas a verdade é que eu não sou nem um pouco ligada a datas comemorativas. Tirando o Natal, não lembro de nenhuma dessas datas - nem o carnaval. 
É muito legal pensar que sou uma escritora, embora não me veja assim. Eu não consigo me ver como alguém diferente de uma jovem de 19 que está buscando seu lugar no mundo embora comparada a vários jovens da minha idade, eu estou bem mais encaminhada do que eles.
Eu escrevi um livro e isso é o que tecnicamente me faz uma escritora, mas na verdade o que me faz escritora é minha habilidade de colocar em palavras atos que nem nós mesmos somos capazes de explicarmos porque o fizemos. E eu não preciso de fato escrever para que isso aconteça. Ser um bom ombro amigo a alguém que precisa me faz escritora. Manter amizades me faz escritora. Observar o mundo a minha volta e não me alienar dele me faz escritora. O que menos me faz escritora foi ter publicado um livro alguns anos atrás.
Claro que eu quero continuar escrevendo 'de verdade'. Sabe, aquela velha rotina de sentar na frente do computador e bater freneticamente os dedos contra as teclas afim de formar palavras que se encaixam em uma sentença que por fim espero que se encaixem no texto. Eu amo essa rotina solitária. Escrever é marcar um encontro consigo afim de encarar seus próprios demônios.
Eu não me imagino fazendo nada diferente do que criando situações. Eu tenho uma verdadeira paixão por criar e escrever me permite isso e muito mais. É uma catarse constante. 
Como jornalista, meu dever não é criar histórias e sim contar histórias verdadeiras. Parece que não sei viver sem contar algumas histórias por aí. Apesar de na escrita eu ter toda a liberdade poética para criar o que eu quiser criar, eu tenho essa espécie de compromisso comigo mesma que me permite apenas contar histórias que poderiam ser verdadeiras. Não gosto de diálogos forçados ou situações hipotéticas demais, pessoalmente tenho um compromisso com a autenticidade da vida. Através das minhas escritas quero contar histórias que são reais, em que as pessoas possam se identificar, mas não de um jeito piegas. Eu quero ter liberdade para criar histórias, mas isso nunca significará que não terei compromisso com os fatos.

Beijos
S.S Sarfati

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