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Eu entrei no Aeroporto Internacional de Guarulhos com um misto de insegurança, medo e ansiedade. Eu já havia cruzado o saguão daquele aeroporto milhares de vezes com a única diferença que pela primeira vez eu ia sair do país completamente sozinha. Eu já havia viajado com meus pais, com meus amigos, mas nunca sozinha. Ninguém para eu olhar para o lado durante a turbulência, ninguém para eu puxar conversa quando estivesse entediada, ninguém em situação alguma. Completamente sozinha pela primeira vez.
Caminhei pelo saguão até encontrar a minha companhia aérea e o meu voo. Despachei minha mala e olhei o relógio: 9:35. Eu tinha três horas até o meu voo, o que eu iria fazer nesse tempo todo? Poderia ficar usando meu celular, até tinha vários lugares os quais dava para carregar o celular, mas eu não queria, minha ansiedade não permitia. Podia ler um livro, mas não conseguia me concentrar em nada.
Fiquei andando a esmo no aeroporto. Dando voltas e voltas sem parar. Algumas pessoas que trabalhavam lá começaram a me olhar e eu me senti o personagem do Tom Hanks naquele filme “O Terminal”. Achei melhor parar, sentar em algum lugar até poder entrar na sala de embarque, ao menos lá tem o Free Shop para eu ficar olhando as coisas sem poder comprar nada. Sabe como é, se eu fizesse alguma extravagancia no Free Shop, não poderia curtir a viagem. Ninguém vai até o Velho Continente para não poder aproveitar tudo e mais um pouco.
Só para conseguir comprar a passagem já paguei os olhos da cara, sério. Vocês não imaginam o quanto precisei economizar para comprar uma passagem até a Itália. Estive sonhando com esta viagem há anos! Eu estava em dúvida entre Itália e França, mas a passagem para a Itália era mais barato, então foi fácil tomar essa decisão. Na verdade, foi uma decisão muito óbvia a ser tomada.
Eu escolhi ir para Europa há cerca de cinco anos, quando entrei na faculdade. Decidi que iria para lá e comecei a economizar minha humilde mesada de universitária e este decidi que eu usaria minhas férias forçadas, também conhecido como desemprego, para realizar um sonho de adolescência.
Meus pais me acharam louca por gastar o dinheiro que eu tinha guardado para isso, mas a verdade é: eu não teria coragem de gastar esse dinheiro com nenhuma outra coisa além de uma viagem fantástica. Não me imagino sacando aquele dinheiro para pagar uma conta de água, por exemplo, tanto porque eu nem pago conta de agua, afinal moro com meus pais, mas eu tenho certeza que vocês entenderam meu ponto de vista.
Eu sei que não tenho como saber quanto tempo vou ficar desempregada, mas sei que quanto mais cedo eu fizer essa viagem, mais rápido vou voltar a procurar emprego. Eu sou jornalista, não deveria ser tão difícil arrumar emprego, mas é.
Meus amigos ficaram com as opiniões bastante divididas quando contei para eles: alguns me acharam louca, mas ainda sim aprovaram meus planos. Outros me condenaram, mas o restante me deu o maior apoio! Inclusive, alguns que já foram para lá dividiram comigo experiências, roteiros, dicas e todo o tipo de informação útil que uma pessoa pode precisar e que eles gostariam de saber antes de ir viajar para lá, mas infelizmente não sabiam.
Procurei em sites, blogs e perfis no Instagram lugares legais de ir, dicas reais e não apenas aquelas coisas de guias da Lonely Planet. Sim, aqueles guias são fantásticos, já li vários as escondidas em livrarias grandes, mas ainda sim são meio “plásticos”, sabe? Não me parecem 100% reais e isso me incomoda um pouco. 
Eu tive um super devaneio, me perdoem. Onde é que eu estava mesmo? Ah é, eu estava dizendo que fui tomar um café para não parecer o cara do filme “O Terminal”. Comprei um livro modinha para me distrair, nada muito complexo, afinal, só queria uma distração. Enquanto eu dava pequenos goles no meu cappuccino e lia alguns capítulos aleatórios do livro, eu fiquei pensando que eu não esta feliz só porque estava naquela situação fantástica de estar realizando um sonho de infância, mas eu estava feliz porque minhas escolhas me levaram a aquele lugar para que eu pudesse realizar meu sonho. Não foram meus pais que decidiram me dar uma viagem com tudo pago, um acaso do destino, eu construí tudo aquilo e estava orgulhosa de mim mesma.

Beijos
S.S Sarfati 

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