Ontem, dia 29/01, aconteceu o concurso Miss Universo 2017. O concurso escolhe não apenas a mulher mais bonita do mundo, mas a que além de mais bonita é a mais simpática, inteligente, fina, elegante e muitas outras qualidades que o juri julga importante para uma miss. A candidata brasileira foi como uma das favoritas a coroa e com uma grande torcida no seu país de origem. Além de ser a primeira Miss Brasil negra depois de muito tempo, Raissa infelizmente não agradou o juri não chegando ao Top 9. Contudo não é sobre ela que eu vou falar a respeito, vou falar sobre a Miss Canadá
Siera Bearchell, 23 anos e estudante de Direito, foi escolhida como a representante canadense para o concurso da beleza universo. Para ser a escolhida para tal cargo precisa ser bonita, certo? Errado, pelo menos para os apresentadores da transmissão do concurso no canal Band. Os três destilaram opiniões ofensivas dizendo que ela era sobrepeso, que ela não deveria estar ali, que ela entrou pelas cotas, não tinha porte de miss - isso sem contar o tom vexatório usado como se fossem donos da verdade e sempre defendendo seus argumentos preconceituosos dizendo que "é apenas a opinião deles e cada um tem a sua e devemos respeitar todas". Oi?! Se destilar preconceito falando que é apenas a sua opinião já é ridículo no Facebook, para apresentadores em rede nacional é nojento e eu realmente espero que a Band caia na real e peça desculpas publicamente pelo comportamento deles. 
O concurso de Miss Universo representa a beleza de todas as mulheres do mundo e não é preciso ser sociólogo para saber que não é uma grande maioria de mulheres que vestem 34 e tem 1,80. Embora as representantes de cada país demonstrem traços de beleza relacionado a cultura do seus país, com o mundo globalizado do jeito que é hoje todas são muito parecidas. Aí que a Miss Canadá entra: ela não tinha corpo de Barbie como as outras meninas. Voluptuosa como as integrantes do clã Kardashian-Jenner (exceto Kendall que é modelo da Victoria's Secret), ela representa milhares de mulheres ao redor do mundo - inclusive eu. Confiante e muito simpática, Siera ficou entre as nove mulheres mais bonitas do mundo com um corpo lindíssimo e muito mais acessível do que corpo das outras misses. É cruel ridicularizar ela por ter um corpo normal. 

Olhem que rainha

A vitória da Raissa como Miss Brasil foi importante porque ela é negra, assim como 51% da população brasileira e representatividade importa - e muito. Embora eu não esteja apta a falar sobre representatividade racial por ser branca e nunca ter me sentido não representada pelos padrões europeus, eu me sinto muito apta para falar sobre o quanto me sinto representada ao ver a mídia dando destaque para mulheres voluptuosas como eu que tenho quase 100 cm de quadril. É por isso que gosto das Kardashian-Jenner, porque me vejo no corpo delas, assim como me vejo no corpo da Siera e várias outras moças também se vem. 
Ela se sente empoderada com o seu corpo "grande" e muito orgulhosa dele também, assim como todas nós devemos nos sentir. A sociedade está mudando, está se tornando mais tolerante e mais inclusiva e embora não seja no ritmo ideal, essa mudança está acontecendo e isso é ótimo. A sociedade precisa mudar para evoluirmos e o comportamento de pessoas que negam essas mudanças não é mais bem vindo. 

Beijos
S.S Sarfati

UM COMENTÁRIO ❤

  1. Eu vi uma certa discussão no Facebook sobre isso mesmo. Eu costumava assistir anualmente tanto o Miss Brasil quanto o Universo, acabei com o tempo deixando de ver. A Siera é maravilhosa. Mulheres que são realmente gordas não precisam ouvir comentários desse tipo pra saberem o que são, quanto mais alguém que não tem sobrepeso nenhum.
    Eu luto contra a balança provavelmente desde os dez anos de idade e sei como é difícil se reerguer e seguir de cabeça firme diante de um comentário maldoso. A sociedade vem mudando pra melhor - ainda bem! -, mas sempre tem uma parcela que se recusa a evoluir. Enquanto isso, esperamos que percebam o erro. E se retratem. E o mínimo - e bem mínimo mesmo - a se fazer.

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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