O mês de Julho foi um mês muito agitado na minha vida e eu tive que lidar com muita coisa que não foi exatamente agradável, mas se teve algo que eu lidei muito bem com a minha leitura do mês de Julho: A Guerra Não Tem Rosto de Mulher de Svetlana Alexijevich.
Alexijevich foi a ganhadora do Prêmio Nobel (o maior prêmio da Literatura Mundial) em 2015, sendo apenas a 14º mulher a levar o prêmio de 114 vencedores, com seus livros reportagens que abordam em peso o cotidiano da ainda tão enigmática Rússia. A jornalista escreve livros com relatos de testemunhas e tem como suas principais obras Vozes de Chernobyl e O Fim do Homem Soviético. Pela temática que ela aborda já é possível perceber que ela tem coragem. Não são todos os seus livros que estão disponíveis no Brasil, mas com o seu sucesso crescente no mercado editorial brasileiro a tendência é que os outros livros cheguem aqui. O mais recente foi As Últimas Testemunhas que apesar de escrito em 1985 só chegou em terras tupiniquins em 2018, ainda que tenha tido uma edição pouco relevante no fim da década de 1980. 
Fazia muito tempo que eu estava afim de ler o livro sobre Chernobyl uma vez que o desastre sempre chamou minha atenção (desde antes da série, sempre fui fascinada pela radiação e seus efeitos), mas sempre achei meio caro (não me levem a mal, mas eu sou apenas uma estagiária) até que um dia eu fui comprar um livro e sem querer comprei A Guerra Não Tem Rosto de Mulher e só percebi quando cheguei em casa! Como já queria ler a obra da Svetlana Alexijevich não achei tão ruim assim. Só que pelos comentários que eu já havia lido na internet era um livro tenso então quis me programar para ler justamente em um período em que eu estivesse com a vida mais tranquila, como as férias. Este é o primeiro livro de um ganhador de Nobel que eu leio. 
Confesso que eu esperava mais do livro. Não que ele seja ruim, mas acho que fui com expectativas demais. Eu achei que Alexijevich teria um papel maior do que juntar os depoimentos - o que por si só já é ótimo e eu gosto tanto a ponto de querer fazer um livro reportagem de relatos como TCC. A real é que o livro fornece uma perspectiva que é sempre ignorada quando o assunto é guerra: a perspectiva feminina. Quando entramos em contato com a guerra através de um livro ou um documentário, por exemplo, estamos tão acostumados a ver o ponto de vista masculino como único que nunca nos questionamos se houveram mulheres envolvidas e em A Guerra Não Tem Rosto de Mulher é gritante a participação das mulheres russas - e isso nunca foi algo ensinado nas escolas. Alexijevich escreveu o livro em meio a Cortina de Ferro que foi a censura soviética que proibia a divulgação de qualquer informação que envergonhasse o regime e por isso este livro teve alguns relatos censurados na sua publicação em 1985 tanto que em 2004 foi lançada uma nova versão do livro com os relatos censurados e alguns novos de mulheres que procuraram a autora após o lançamento da obra.

E você, já leu alguma coisa da Svetlana Alexijevich? Me conta :)
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Beijos
S.S Sarfati



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